O inimigo mora dentro
O fanatismo ideológico é um enorme problema, mas nossos maiores e piores inimigos, de fato, são os que, investidos de poder, estão esfarrapando nossas instituições e instabilizando o País.
Dizem que nossa soberania está ameaçada por ingerências externas. Porém, creio que o maior risco é interno.
Há quem queime bandeiras nacionais, enquanto agita as de outros países, e acuse seus adversários de assassinos, enquanto idolatra genocidas, apoia ditaduras sanguinárias e subverte a juventude, em nome da obtenção de poder hegemônico, no qual democracia é uma falácia.
O fanatismo ideológico é um enorme problema, mas nossos maiores e piores inimigos, de fato, são os que, investidos de poder, estão esfarrapando nossas instituições e instabilizando o País.
São eles que vêm praticando, tolerando e, até, inocentando crimes que lesam o país e seu povo.
Infelizmente, parte significativa dos que têm definido o destino do Brasil tem agido para transformar nossas instituições numa rede em que cada nó interliga dezenas, centenas, às vezes milhares de fios: uma rede de “rabos presos” e “telhados de vidro”.
Quem denuncia irregularidades, seja de fora ou de dentro dessa “estrutura”, passa a ter sua vida vasculhada e ameaçada, na tentativa de encontrarem qualquer mínimo motivo para desmoralizar ou silenciar seu autor, usando recursos que deveriam ser usados para proteger a democracia.
Não pode haver corporativismo e blindagem no exercício de cargos públicos, sejam eletivos ou por indicação! E a “ética de bandidos” nunca valerá para os que deveriam atuar em prol da sociedade. Protegê-los não é “coleguismo”, é cumplicidade!
A corrupção e o abuso de poder afetam milhões de pessoas de uma forma tão dramática que nenhuma migalha ou promessa vã jamais compensará. Deveriam ser considerados crime de lesa-pátria!
Quando essas práticas inaceitáveis se tornam “estruturais”, a incompetência, a ganância e a tirania assumem o controle, potencializando crises sociais de consequências trágicas.
Quem defende isso, no exercício de cargos públicos, nas ruas ou em práticas acadêmicas, é cúmplice da degradação da sociedade, inclusive pela miséria e mortes resultantes!
Quem liberta, inocenta ou acoberta crimes em qualquer nível, principalmente dos que exercem os poderes públicos, sem questionar as leis que os protegem e “blindam”, também é responsável!
Nossa soberania está ameaçada pela arrogância, oportunismo, hipocrisia e corporativismo de quem deveria representar e defender, direta e indiretamente, os anseios da população! Ela claudica quando alguém usa de todos os meios para manter o poder ou orbitá-lo, em busca de proveito pessoal. Ela fraqueja pela ação dos que usam “dois pesos e duas medidas” ou cegueira seletiva em favor de interesses próprios ou grupais, como se um foro público fosse foro íntimo.
Infelizmente, quem questiona ou enfrenta esse cenário nefasto vive dias sombrios e incertos, tempos que um dia também poderão ser de quem o defende ou tolera.
Adilson Luiz Gonçalves escreve semanalmente para o Jornal BE News, com seus artigos publicados tradicionalmente na edição de sábado e domingo e, eventualmente, na de sexta-feira.