O inventário de GEE e o caminho da sustentabilidade
A apresentação do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Setor de Transportes pelo Governo Federal na COP30, nessa quinta-feira, dia 13, coloca o Brasil na linha de frente dos esforços globais pela descarbonização. O levantamento, detalhado e baseado em dados primários, é um instrumento de governança essencial que traduz a ambição climática em uma trilha de implementação palpável. Sem um diagnóstico preciso das emissões por modal, tipo de veículo e infraestrutura, qualquer compromisso seria, como bem definiu o subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, Cloves Benevides, “apenas um compromisso etéreo”.
O inventário, desenvolvido em parceria com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), é a base técnica para o cumprimento da nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que prevê uma redução voluntária das emissões de GEE em pelo menos 59% até 2035. O estudo oferece segurança para que o setor privado comunique o que já realiza e, mais importante, para que o Governo formule políticas públicas eficazes.
A importância do inventário para orientar as ações do Governo Federal e do setor privado nos processos de descarbonização do setor de transportes é inequívoca. A mensuração detalhada dos indicadores ambientais permitirá a construção de diretrizes mais robustas para o Plano Clima e o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050. Esses documentos são vitais para definir medidas de mitigação e para fortalecer a infraestrutura resiliente a médio e longo prazo.
O conhecimento exato das emissões possibilita a otimização de investimentos e a alocação de recursos em projetos de maior impacto. O anúncio de mais de US$ 2 bilhões em novos investimentos destinados à adaptação da infraestrutura e à descarbonização das rodovias brasileiras reforça o compromisso do Ministério dos Transportes com a agenda verde.
Mas não basta apenas ter o diagnóstico; é preciso defender que essa evolução efetivamente ocorra. O inventário é a ferramenta de partida, mas o progresso exige a implementação ágil e coordenada de políticas que incentivem o uso de múltiplos combustíveis, a eletrificação, a racionalização e a modernização das frotas. Iniciativas como os Corredores Azuis, que promovem o uso de gás natural e biometano, precisam de um marco regulatório claro e de financiamento direcionado.
O Brasil tem uma vantagem competitiva na produção de biocombustíveis que deve ser capitalizada. A descarbonização do setor de transportes é a chave para o País cumprir suas metas e consolidar sua liderança global em sustentabilidade. A ambição está traçada; a trilha está pavimentada pelo inventário. Agora, a urgência é agir.