terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O investimento em infraestrutura ferroviária e o exemplo de Paranaguá

A consolidação do projeto Moegão, no Porto de Paranaguá (PR), cujas obras atingiram 80,29% de execução na primeira quinzena deste mês de dezembro, confirma um novo patamar de eficiência para a logística de exportação do Sul do Brasil. O empreendimento, orçado em mais de R$ 650 milhões, simboliza a superação de gargalos históricos ao centralizar a recepção de granéis vegetais sólidos em uma única estrutura ferroviária – que não apenas moderniza o fluxo de chegada de grãos e farelos, como também integra 11 terminais a um sistema automatizado capaz de movimentar até 24 milhões de toneladas por ano.

O avanço físico das frentes de trabalho — com a da engenharia civil em 87% e a dos sistemas mecânicos em 85,24% — aponta para a conclusão em fevereiro de 2026. Este cronograma rigoroso é sustentado por uma engenharia financeira que combina recursos próprios da autoridade portuária e financiamento do BNDES, demonstrando a viabilidade de projetos de grande vulto quando há gestão técnica e planejamento orçamentário.

É imperativo enfatizar a importância de as autoridades portuárias brasileiras, como é o caso da Portos do Paraná, investirem em melhorias da sua infraestrutura ferroviária. O Moegão elevará a capacidade de descarga de 550 para 900 vagões diários, permitindo a movimentação de até 68 mil toneladas por dia. Tal salto de produtividade é a chave para reduzir custos logísticos e operacionais, eliminando as ineficiências de manobras internas dispersas e acelerando o giro de material nos terminais.

A otimização do modal ferroviário garante diretamente a competitividade do agronegócio nacional. Ao substituir acessos pulverizados por uma recepção única e correias transportadoras de alta performance, o porto minimiza o tempo de permanência da carga em terra e maximiza a fluidez do Corredor de Exportação Leste. Além disso, o projeto entrega um ganho social relevante: a redução drástica de 16 para cinco pontos de cruzamento ferroviário com as vias urbanas, mitigando conflitos de trânsito na cidade de Paranaguá.

O Moegão não deve ser analisado de forma isolada, mas como parte de um robusto conjunto de investimentos que totalizam R$ 5,7 bilhões em contratos de arrendamento. A construção do novo Píer em “T”, que elevará a velocidade de carregamento de 3 mil para 8 mil toneladas por hora, e o aprofundamento do canal de acesso para 15,5 metros completam o ciclo de modernização. Esse aprofundamento permitirá que navios carreguem até 125 mil toneladas, um incremento vital frente às atuais 78 mil toneladas.

O investimento em infraestrutura ferroviária e a melhoria dos acessos aquaviários garantem que o Porto de Paranaguá atue com “régua alta” no cenário internacional. A adoção de tecnologias de ponta, como o sistema VTMIS para o gerenciamento de tráfego, coroa esse esforço de transformar o complexo paranaense em um paradigma de segurança, sustentabilidade e eficiência. O exemplo paranaense reforça que o futuro da produção nacional depende, obrigatoriamente, de trilhos e portos que operem em perfeita sintonia sistêmica.

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