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Bruno Galoti Orlandi

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O porto do futuro começa pela qualificação

O desafio do setor portuário hoje não é apenas gerar empregos, é garantir que existam profissionais preparados para ocupá-los. Em um ambiente cada vez mais exigente, a qualificação deixa de ser uma agenda complementar e passa a ser condição para sustentar o desenvolvimento.

A transformação do trabalho no setor portuário já é uma realidade, e seus efeitos são sentidos diretamente na dinâmica de emprego das cidades portuárias. Além de ser um ativo logístico estratégico para o país, o Porto de Santos também se consolida como um dos principais motores de geração de emprego na cidade. 

Hoje, cerca de um em cada cinco trabalhadores com carteira assinada em Santos está vinculado ao setor de transporte e armazenagem, diretamente relacionado à atividade portuária. Em números aproximados, são quase 195 mil empregos formais no município, dos quais mais de 38 mil estão ligados ao porto. Esse cenário evidencia não apenas a relevância do setor, mas também a dimensão do desafio que se impõe: acompanhar essa transformação exige, cada vez mais, qualificação.

Esse peso econômico reforça uma realidade importante: o desenvolvimento do setor portuário impacta diretamente a dinâmica do trabalho na cidade. No entanto, à medida que o porto evolui em complexidade e eficiência, também se transforma o perfil profissional exigido e é nesse ponto que se estabelece um dos principais desafios atuais.

O setor portuário tem avançado de forma consistente em modernização e integração logística. Esse movimento, no entanto, não tem sido acompanhado, na mesma velocidade, pela formação profissional. O resultado é um descompasso crescente entre as demandas do mercado e as competências disponíveis.

Funções que antes exigiam predominantemente execução operacional passam a demandar maior capacidade de análise, tomada de decisão e familiaridade com novas ferramentas e processos. Ao mesmo tempo, aspectos fundamentais como a cultura de segurança, essencial em um ambiente que combina operação humana e uso intensivo de máquinas, ainda exigem maior atenção nos processos formativos.

Esse cenário aponta para a necessidade de uma mudança de abordagem. A formação profissional não pode mais ser tratada como etapa inicial, mas como um processo contínuo, conectado às transformações do setor. O diálogo entre instituições de ensino, cursos técnicos e o mercado de trabalho precisa ser mais ágil e estruturado, de forma a reduzir lacunas e antecipar demandas.

Outro fator relevante é a própria dinâmica do trabalho. A convivência de diferentes gerações no mercado, associada à ampliação da vida profissional, exige novos modelos de qualificação, mais flexíveis e adaptáveis. A aprendizagem contínua deixa de ser diferencial e passa a ser requisito.

Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que a transformação do setor não elimina desafios históricos. Há funções que ainda envolvem exposição a riscos e exigem alta percepção de segurança. Nesses casos, o avanço tecnológico precisa caminhar junto com soluções voltadas à proteção e à saúde do trabalhador.

Nesse contexto, iniciativas voltadas à qualificação profissional ganham relevância estratégica. Em Santos, uma parceria entre a Prefeitura, a Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) e o Centro de Excelência Portuária (Cenep, do Porto de Santos) resultou na criação de um curso técnico totalmente gratuito voltado à mecânica portuária, estruturado a partir das demandas reais do setor. A iniciativa já formou dezenas de profissionais, alguns com inserção no mercado de trabalho, e evidencia o potencial de ações alinhadas às necessidades produtivas. Diante dos resultados, já está em andamento a estruturação de uma nova turma para o segundo semestre deste ano, além de estudos para expansão da inaiciativa para outras áreas ligadas à atividade portuária.

O desafio do setor portuário hoje não é apenas gerar empregos, é garantir que existam profissionais preparados para ocupá-los. Em um ambiente cada vez mais exigente, a qualificação deixa de ser uma agenda complementar e passa a ser condição para sustentar o desenvolvimento.

O futuro do trabalho no porto não será definido apenas pela criação de novas vagas, mas pela capacidade de alinhar formação, oportunidade e realidade produtiva. Preparar pessoas para esse cenário é, ao mesmo tempo, uma necessidade econômica e um compromisso com o desenvolvimento da cidade, uma agenda que orienta o trabalho da Secretaria de Assuntos Portuários e Emprego de Santos na conexão entre pessoas e oportunidades.

Com este artigo, Bruno Galoti Orlandi passa a escrever quinzenalmente para o BE News, com seus textos publicados às segundas-feiras.

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