O pragmatismo necessário no debate sobre os minerais críticos
As declarações do vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin nessa quinta-feira, dia 2, trazem à tona um dos debates mais sensíveis e estratégicos da economia brasileira contemporânea: a posição do País na cadeia de suprimentos de minerais críticos. Ao afirmar que “não há tema proibido” no diálogo com os Estados Unidos e defender a monetização dessas reservas, Alckmin abandona o idealismo e adota um pragmatismo econômico vital. O Brasil não pode mais se dar ao luxo de ser apenas um espectador geológico; é preciso transformar o potencial mineral em valor agregado e moeda de troca diplomática.
A importância estratégica deste movimento reside na fome global pela transição energética. Lítio, nióbio, terras raras e grafita são o “novo petróleo”. Sem eles, não há baterias para carros elétricos, turbinas eólicas ou semicondutores de ponta. Ao sinalizar a abertura para discutir esses ativos com Washington — mesmo diante de tensões tarifárias recentes —, o Governo Brasileiro busca inserir o País no centro da reconfiguração das cadeias de suprimento globais (nearshoring e friend-shoring). O objetivo é claro: evitar que o Brasil seja apenas um exportador de terra bruta, focando na verticalização da produção.
A fala de Alckmin — “não adianta ficar sentado em cima da fortuna” — é um recado direto ao Congresso Nacional, onde tramita o Plano Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A aprovação de um marco legal robusto, sob a relatoria do deputado Arnaldo Jardim, é a condição sine qua non para atrair os investimentos bilionários necessários para o georreferenciamento e a lavra técnica. Sem segurança jurídica e, em especial, incentivos à industrialização local, a riqueza mineral brasileira continuará sendo uma promessa enterrada.
Monetizar e agregar valor significam transformar o minério em componentes de alta tecnologia dentro do território nacional. O diálogo com os americanos deve ser pautado pela reciprocidade: o Brasil oferece acesso estável a minerais essenciais em troca de transferência tecnológica e investimentos em plantas industriais. Se o mundo caminha para a descarbonização, o Brasil detém as chaves dessa mudança.
A análise apresentada pelo ministro reforça que a indústria do futuro será minerodependente. Portanto, avançar na regulamentação e na diplomacia mineral não é apenas uma escolha comercial, é um ato de soberania. O Brasil precisa deixar de ser o país do futuro potencial para ser o país da entrega real. Se os brasileiros têm uma fortuna sob seus pés, é hora de usá-la para financiar o salto tecnológico que a nossa indústria tanto precisa.