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Thiago Benito Robles

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O problema nunca foi o leilão!

Cada adiamento não é apenas um evento administrativo, ele representa capacidade que deixa de ser criada, eficiência que deixa de ser capturada e custo logístico que continua sendo absorvido ao longo de toda a cadeia.

O leilão do Tecon Santos 10 já teve mais de uma dezena de datas ao longo dos últimos meses, sempre projetado para um futuro próximo, sempre substituído por uma nova previsão que, pouco tempo depois, também deixa de se sustentar.

Não se trata de um projeto qualquer, o Tecon Santos 10 é um ativo capaz de redefinir a capacidade operacional do Porto de Santos (SP) e sustentar, no médio prazo, a competitividade do comércio exterior brasileiro. O diagnóstico está posto há bastante tempo e não há, propriamente, controvérsia sobre sua relevância.

O que permanece em aberto é outra questão, muito mais relevante.

Ao longo do último ano, o leilão foi anunciado, reagendado, reprogramado e novamente adiado em uma sequência que já não pode mais ser tratada como episódica ou ocasional. Forma-se um ambiente em que o projeto está sempre prestes a acontecer, mas nunca se concretiza, como se o tempo pudesse ser continuamente reposicionado sem consequências.

O projeto não enfrenta dúvidas relevantes do ponto de vista técnico, nem carece de justificativa econômica. O que se observa é uma dificuldade recorrente de decisão, marcada por discussões sobre restrições à participação de determinados agentes e leituras distintas sobre os impactos regulatórios. Soma-se a isso a atuação simultânea de múltiplos órgãos, cada qual se manifestando a partir de sua própria perspectiva e, não raramente, buscando afirmar a prevalência do seu entendimento.

Mas há um elemento adicional que não pode ser ignorado. A condução desse processo convive com pressões que não são propriamente técnicas, deslocando o eixo da decisão para um campo em que a governança deixa de ser orientada por critérios estruturais e passa a responder a agendas de outra natureza.

O processo avança, recua e volta a avançar, sem produzir resultado efetivo, como se a capitalização dos ganhos abstratos da promessa pudesse se perpetuar nas sucessivas prorrogações.

Cada adiamento não é apenas um evento administrativo, ele representa capacidade que deixa de ser criada, eficiência que deixa de ser capturada e custo logístico que continua sendo absorvido ao longo de toda a cadeia. Representa investimento que aguarda definição, planejamento que permanece em suspenso e decisões empresariais que passam a ser tomadas sob maior incerteza.

A consequência aparece no custo, mas não aparece de forma explícita. Ela não está concentrada em uma linha de orçamento nem se materializa em um único indicador. Ela se dilui, pouco a pouco, no preço do frete, no tempo de operação, na perda de competitividade das exportações e na menor atratividade do ambiente de negócios.

Mesmo quando projetos estruturais conseguem avançar etapas formais, isso não significa que as incertezas tenham sido superadas. O túnel entre Santos e Guarujá, discutido há mais de um século e finalmente levado a leilão, segue convivendo com tensões que deixam claro que a formalização não encerra disputas quando o ambiente decisório permanece exposto a interferências de natureza política.

Enquanto isso, o Porto de Santos segue operando, crescendo e absorvendo uma demanda cada vez maior, não como resultado de decisões estruturais recentes, mas apesar da ausência delas.

O ponto já não está em saber se o leilão vai acontecer, está em compreender o custo do tempo que se acumula enquanto ele não acontece.

Por falar nisso, a próxima previsão é outubro ou novembro deste ano…difícil de acreditar, né ministro! 

E por falar também nisso, até breve, ministro!

Thiago Benito Robles escreve quinzenalmente para o BE News, com seus textos sendo publicados às quartas-feiras.  

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