terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O protagonismo dos hubs aéreos brasileiros na América Latina

O desempenho da aviação brasileira em 2025 consolidou o País como o principal polo de conectividade da América Latina. Com três terminais figurando no “Top 10” da região, o Brasil reafirma sua posição como destino prioritário para investimentos e turismo global. O Aeroporto de Guarulhos (SP), ao liderar o ranking continental com mais de 23,1 milhões de passageiros, deixa de ser apenas uma porta de entrada nacional para se tornar o eixo central da movimentação aérea na região, superando competidores históricos como Bogotá (Colômbia) e Cidade do México. Esse avanço reflete diretamente o volume recorde de recursos públicos e privados injetados no setor, somando quase R$ 4 bilhões em 2024.

Parte desse levantamento, o crescimento de 23,6% no fluxo do Galeão, no Rio de Janeiro, é um dos dados mais reveladores do novo momento da infraestrutura nacional. A recuperação do terminal carioca, agora sob gestão da espanhola Aena após um lance de R$ 2,9 bilhões, demonstra como a segurança regulatória e a modernização operacional podem revitalizar ativos fundamentais para o turismo. Paralelamente, Congonhas (SP) avança em um projeto de R$ 2,4 bilhões que elevará sua capacidade para quase 30 milhões de passageiros, integrando tecnologia e sustentabilidade para se alinhar aos mais rigorosos padrões internacionais de eficiência.

Para sustentar esse ritmo, o Ministério de Portos e Aeroportos estruturou pacotes de investimentos que focam na expansão física e na inteligência operacional. Em Guarulhos, a homologação da repactuação contratual pelo Tribunal de Contas da União (TCU) destravou R$ 1,4 bilhão para 21 projetos que incluem a integração tecnológica e a melhoria de pátios e pistas de táxi (taxiways). Essas intervenções são necessárias para absorver a demanda crescente, que já apresenta alta de 13,2% nos voos internacionais apenas no primeiro trimestre deste ano, sinalizando que a infraestrutura aeroportuária brasileira está finalmente alcançando o calado necessário para suportar as ambições econômicas do País.

O cenário de 2026 desenha uma malha aérea mais robusta e interiorizada. O aumento na movimentação doméstica e internacional indica que o investimento em infraestrutura gera um ciclo virtuoso: aeroportos melhores atraem mais voos, que por sua vez fomentam o desenvolvimento econômico e a integração regional. Como pontuado pelo ministro Tomé Franca, modernizar terminais é, em última análise, conectar pessoas e garantir segurança jurídica para o crescimento sustentável. Com a consolidação de seus hubs, o Brasil não apenas participa do mercado latino-americano, mas dita o ritmo da aviação no continente.

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