terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O renascimento do Galeão

O leilão de venda assistida do Aeroporto Internacional do Galeão (RJ), realizado nessa segunda-feira, dia 30, na B3, em São Paulo, não é apenas uma transação bilionária de R$ 2,9 bilhões; é o marco zero de uma nova era para a infraestrutura aeroportuária brasileira. Ao atrair gigantes globais como a Aena, que arrematou o ativo com um ágio impressionante de 210%, o Brasil demonstra que a segurança jurídica e a capacidade de construir soluções consensuais são os melhores combustíveis para o investimento estrangeiro. Defender o sucesso deste certame é defender a sobrevivência de um dos maiores aeroportos do País e a consolidação do Rio de Janeiro como um hub logístico de classe mundial.

A importância estratégica desta operação reside na superação de um impasse que se arrastava desde a pandemia. O modelo de “venda assistida”, construído na câmara de consenso do Tribunal de Contas da União (TCU), evitou o trauma de uma relicitação morosa e garantiu a continuidade operacional. Para o passageiro e para a economia fluminense, isso significa um aeroporto que não para. Com a saída da Infraero da sociedade e a entrada da Aena, o Galeão ganha fôlego financeiro e uma gestão focada na eficiência, livre das amarras contratuais do passado que exigiam investimentos hoje obsoletos, como a construção de uma terceira pista.

Os números apresentados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) justificam o otimismo do mercado. O salto de 18,9 milhões de passageiros em 2023 para 23,5 milhões em 2025 no sistema aeroportuário carioca prova que as medidas de reequilíbrio entre Santos Dumont e Galeão surtiram efeito. O Galeão volta a ocupar seu lugar de direito como um dos portões de entrada internacional do Brasil, preparado para uma curva de demanda que não para de subir. O ágio de 210% é o “visto de confiança” que os investidores estrangeiros deram ao ambiente de negócios brasileiro.

Além da gestão, o novo pacto de desenvolvimento prevê uma contrapartida variável de 20% do faturamento bruto até 2039, garantindo que o sucesso da concessionária se reverta em recursos para a União e para o setor. O sucesso deste “primeiro teste de mercado” para renegociação de contratos aeroportuários abre um precedente valioso: mostra que o Estado e as agências reguladoras (no caso, a Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac) podem ser flexíveis e pragmáticos sem abrir mão do interesse público, preservando investimentos e empregos.

O Galeão que decola agora, sob o comando da Aena, é um ativo livre das sombras do pós-Olimpíada e da crise sanitária. É um aeroporto redesenhado para o futuro, onde a conectividade doméstica e internacional se encontram em uma estrutura moderna e rentável. O Brasil deu, na B3, uma lição de maturidade institucional. Que este novo pacto de desenvolvimento para o Rio de Janeiro seja o espelho para outras concessões que precisam de reequilíbrio, provando que, no Brasil da segurança jurídica, o mercado sempre responde positivamente quando o projeto é sólido e o consenso é a regra.

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