terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O salto do biometano no Brasil

A inauguração da maior planta de biometano do Brasil no último sábado, dia 7, em Paulínia (SP), marca um ponto de inflexão na estratégia nacional de transição energética. Ao converter o passivo ambiental de um antigo aterro sanitário em um ativo energético de alto valor, o projeto da OneBio não apenas retira resíduos do esquecimento, mas os insere no centro da nova economia de baixo carbono. Defender a expansão dessas unidades e o fomento a novos combustíveis é, hoje, a única via para garantir que o Brasil não seja apenas um espectador da descarbonização global, mas o seu principal protagonista.

A importância da instalação de plantas de biometano reside na sua capacidade de oferecer uma alternativa imediata e renovável ao gás natural fóssil. Com uma capacidade de 225 mil metros cúbicos por dia — o suficiente para abastecer mais de mil ônibus urbanos —, a unidade de Paulínia prova que a solução para a mobilidade sustentável e para a descarbonização industrial já está disponível em solo brasileiro. Quando indústrias de grande porte, como a Unilever, passam a utilizar esse insumo em seus processos, cria-se um círculo virtuoso onde a sustentabilidade deixa de ser um custo, para se tornar eficiência operacional e competitividade logística.

A contundência desta transição apoia-se em uma infraestrutura que já existe. O fato de a nova planta estar conectada diretamente à rede de gás canalizado demonstra a inteligência do biometano: ele é um combustível “drop-in”, que utiliza a malha de distribuição atual para entregar energia limpa sem a necessidade de investimentos bilionários em novos dutos. O Brasil, e especificamente o estado de São Paulo, que já detém metade da capacidade instalada do País, possui uma vocação natural para liderar esse setor. O potencial estimado de 6,4 milhões de m³/dia em território paulista é uma fronteira de desenvolvimento que aguarda apenas o incentivo correto para ser explorada.

Apoiar o biometano e o desenvolvimento de novos combustíveis é também uma estratégia de segurança energética. Em um mundo de incertezas geopolíticas, produzir combustível a partir de resíduos urbanos e agroindustriais internos protege a economia contra choques de preços externos. Como destacou o governador Tarcísio de Freitas, o mundo busca parceiros confiáveis para gerar energia verde, e o Brasil, ao transformar lixo em combustível de alta pureza, apresenta suas credenciais como esse aliado estratégico.

É imperativo que o Governo Federal e as administrações estaduais mantenham marcos regulatórios claros e agilidade nas licenças ambientais para as unidades que ainda aguardam autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A transição energética brasileira não pode ser uma promessa para 2050 – ela precisa ocorrer nos ecoparques e nas usinas de hoje. O biometano de Paulínia é o exemplo de que a riqueza do futuro não está apenas no subsolo, mas na nossa capacidade de inovar e dar um destino nobre ao que antes era apenas descarte. O Brasil que decola em direção à sustentabilidade precisa acelerar esse passo: o combustível do amanhã já está sendo refinado em nossos aterros.

 

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