O significado do trabalho, muito além do que imagina
“O trabalho enobrece e dignifica o homem.”
Dito Popular.
Você já deve ter ouvido essa frase dezenas de vezes.
A questão é: Quanto você concorda com ela, de verdade? E quanto você faz força para praticá-la?
É uma verdade dos nossos dias que o mundo do trabalho vem mudando velozmente, de uma forma que é quase impossível – muitas vezes desnecessário – avaliar os impactos de cada uma das atividades. Afinal o que vale hoje, pode não valer amanhã. Então, para quê perder tempo com uma nuvem passageira?
Digo mais: ideias que são tratadas como solução hoje, em pouco tempo podem passar a ser um problema amanhã. Home Office, por exemplo. Transformou-se de ser a saída para a continuidade do trabalho em tempos de pandemia, e parecer ter vindo para ficar, para tornar-se um problema, haja vista a resistência de muitos profissionais em voltar ao trabalho presencial.
Venho incomodado com essa questão há algum tempo, mas foi meu amigo Gustavo Zanaroli, que divide comigo a bancada do BE JOB, um podcast que trata de assuntos do mundo do trabalho e corporativo, parte da programação da TV BE News, que vai ao ar todas as segundas, às 19h e 30 minutos, quem me obrigou a parar para analisar o assunto com profundidade, ao me enviar o vídeo de Invest News BR, que trata de parte desse tema (https://youtu.be/ZifopVNi3tI?si=bQ8RoIth6NCxroB_). O título não poderia ser mais sugestivo: “Trabalhar mais, reclamar menos: como líderes mudaram a postura com funcionários”.
Motivado pela provocação do Gustavo, descobri outra informação preocupante: 68% dos jovens adultos no Brasil só veem o trabalho como uma fonte de renda, mais nada. Não o associam a realização ou crescimento. Preocupante também se olharmos dados da Organização Internacional do Trabalho, a O.I.T. que afirma existirem, no mundo, 20,4% de jovens “nem-nem”. Nem trabalham, nem estudam, para simplificar.
As pesquisas citam os jovens, mas não pense que esse cenário atinge só a determinada geração. Atinge a todos. O que pensar, quando se lê no G1 – Economia, de agosto de 2022, que há 13 Estados, dos 27 que o País possui, com mais beneficiários do Auxílio Brasil do que trabalhadores com carteira assinada?
As causas são diversas, mas a pergunta é uma só: Qual o fim desse caminho?
Então, o que fazer para ressignificar o trabalho, como parte importante de nossas vidas?
O primeiro passo é conectar o que você faz com a pessoa que você é. Óbvio que o ideal seria fazer algo de que gosta, de verdade, como na frase atribuída a Confúcio. “Faça algo de que goste e não precisará trabalhar um dia na vida”, mas, se sua situação não permite mudar de profissão, é importante que você encontre propósito, mantendo seu trabalho atual. Se não dá para alterar o que faz, é sempre possível mudar “como” faz.
Experimente descobrir quem são as pessoas impactadas pelo seu trabalho. Quantas e quais vidas você e seu trabalho estão mudando para melhor?
Quem trabalha com Recursos Humanos, como eu, tem essa experiência simplificada. É relativamente fácil medir o impacto de cada ação que tomo. Mas essa condição – em maior ou menor grau – existe em tudo o que se faz.
Quase todos os dias converso com um rapaz chamado André. Possui um pequeno carrinho onde vende cocadas deliciosas. Ele não imagina o quanto esses poucos minutos são importantes para mim, e quanto o fruto do seu trabalho me faz bem. O motorista do aplicativo, nem de longe, imagina o quanto as várias histórias que me contam, tiradas da convivência diária com todo tipo de gente, me ajudam a refletir. “Seu Hudson, o senhor não imagina o que um passageiro fez outro dia, sentado aí mesmo onde o senhor está.”. E a história continua.
Você já observou os lixeiros? Por que a maioria deles está sempre sorrindo, interagindo com as pessoas nas calçadas, se seu trabalho não poderia ser mais difícil, insalubre e perigoso? Experimente viver sem eles!
Outra oportunidade de significado no trabalho são as relações de verdadeira amizade que é possível fazer com colegas de trabalho. Um dos meus melhores amigos, padrinho de Batismo de nossa Filha mais nova, é um (hoje) ex-colega de trabalho. Nossas famílias seguem unidas até hoje.
Há também um grande significado pessoal em aprender coisas novas, superar dificuldades que pareciam intransponíveis. Voltar para casa no final do dia com sensação de vitória, não tem preço, mas tem muito valor.
Desculpem a minha empolgação. De propósito, porque quero que você encontre significado no que faz, estou fazendo parecer que é fácil. Não é.
Seja qual for o caminho escolhido, exigirá coragem, persistência e o mais importante: entender que o significado não é algo que se encontra por acaso. É construído, um passo de cada vez.
Hudson Carvalho é Consultor em Estratégia de Gestão de Pessoas, Diretor Regional da WISDOM – Gestão Organizacional (Desenvolvemos Pessoas e Processos) para o ABCD e Baixada Santista e Diretor Executivo da ELABORE-ONLINE – Pessoas e Resultados.
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