terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O voo da soberania

Essa quarta-feira, dia 25 de março, entra para a história da aviação civil como o dia em que a maior companhia aérea da América Latina finalmente “falou português” em sua frota. A entrega das primeiras aeronaves E195-E2 da Embraer à Latam, em São Carlos (SP), não é apenas uma transação comercial de US$ 2,1 bilhões; é a oficialização de uma aliança estratégica que une a excelência da manufatura brasileira à capilaridade da maior operadora do continente. Defender essa parceria é defender o fortalecimento da indústria nacional e a democratização do acesso ao transporte aéreo em todas as regiões do Brasil.

 

A importância deste “casamento”, como definiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente na cerimônia de entrega das aeronaves, reside na capacidade de transformar a conectividade regional. Ao incorporar jatos de última geração, desenhados especificamente para a eficiência em rotas de média distância, a Latam ganha a agilidade necessária para pousar em cidades de menor porte onde os grandes Airbus e Boeings não são viáveis. Para o passageiro do interior, isso significa menos tempo de deslocamento e mais opções de voos diretos; para o País, trata-se de um passo significativo a uma integração nacional real e à descentralização do desenvolvimento econômico.

 

A importância deste marco também se reflete no chão de fábrica e nos hangares. Atrás de cada um dos 24 jatos encomendados pela Latam à Embraer (que podem chegar a 74), existem milhares de empregos de alta qualificação gerados pela fabricante. Além disso, o fortalecimento do Centro de Manutenção (MRO) da Latam em São Carlos — que já realiza 60% das manutenções globais do grupo e receberá R$ 78 milhões em inovação com apoio da Finep e BNDES — consolida o Brasil como um hub tecnológico aeronáutico de classe mundial. Não estamos apenas comprando aviões; estamos investindo em pesquisa, desenvolvimento e na manutenção de uma cadeia produtiva de alto valor agregado.

 

A entrada da Embraer na frota da Latam quebra um paradigma de décadas de predominância de fabricantes estrangeiras. É um movimento de soberania que sinaliza confiança no produto nacional, reconhecido globalmente pela sua economia de combustível e baixo nível de ruído. Como destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin, este é um movimento de fortalecimento da indústria que reverbera em todo o PIB industrial.

 

O Brasil que decola com os novos E2 da Latam é um país que aposta na sua própria competência. O sucesso desta parceria será medido não apenas pelo lucro das empresas, mas pela quantidade de novos brasileiros que passarão a estar a poucas horas de distância de qualquer capital. Que este seja o primeiro de muitos voos em que a tecnologia brasileira leve a bandeira da maior companhia da região, provando que, quando a indústria e o setor de serviços caminham juntos, o céu é o único limite para o progresso nacional.

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