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Bayard Umbuzeiro Neto

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Os portos brasileiros e a nova era global

A pressão americana com novas tarifas atingiu em cheio as exportações de aço, suco de laranja e carnes, com alíquotas que atingiram patamares de 50%.  Para manter a competitividade, os armazéns e as áreas de apoio portuário foram fundamentais para a resiliência desses setores.

O início de 2026 já indica muitos desafios e boas oportunidades que o comércio exterior brasileiro deve vivenciar nos próximos meses. A consolidação das políticas protecionistas do segundo mandato de Donald Trump e a assinatura histórica do acordo entre Mercosul e União Europeia podem redefinir o papel do Brasil no mapa logístico mundial. 

Para quem opera com infraestrutura portuária, como nós, na Transbrasa, o diagnóstico é claro: a logística brasileira não é mais um suporte apenas operacional, mas também na geopolítica. Cada movimento no tabuleiro global impacta nos portos, assim como as atividades portuárias impactam neste jogo de poderes. 

Pensando na eficiência retroportuária, por exemplo, a pressão americana com novas tarifas atingiu em cheio as exportações de aço, suco de laranja e carnes, com alíquotas que atingiram patamares de 50%.  Para manter a competitividade, os armazéns e as áreas de apoio portuário foram fundamentais para a resiliência desses setores.  

Quando o custo tributário sobe na ponta, o custo logístico precisa cair na base. A tecnologia de pátio, a agilidade no desembaraço e a visibilidade de dados tornaram-se os escudos que permitiram  ao exportador brasileiro continuar presente no mercado norte-americano.

Em contrapartida, a assinatura do acordo entre o Mercosul com a União Europeia, no dia 17 de janeiro,  abre um horizonte sem precedentes. Estamos falando de um mercado de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões. Para o setor retroportuário, este acordo é um chamado urgente à modernização e inovação.

A eliminação gradual de tarifas para 95% dos bens do Mercosul exigirá que nossos portos e terminais operem com padrões europeus de sustentabilidade e conformidade. O “porto seguro” que o Brasil representa hoje para a Europa é sustentado pela nossa capacidade de entregar carga com rastreabilidade total e baixa pegada de carbono.

Assim, o cenário previsto para 2026 nos mostra que não podemos depender de um único parceiro. Enquanto os EUA se fecham em um protecionismo rígido, o Brasil se abre para o Velho Continente e amplia laços com a Ásia. Na Transbrasa, entendemos que o papel do operador logístico moderno é ser o facilitador dessa transição. Seja desviando rotas para aproveitar o novo acordo europeu ou otimizando custos para superar as barreiras americanas.

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