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Candice La Terza

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Os primeiros 90 dias de um líder: o que comunicar antes de cobrar resultados

Um líder presente não é aquele que fala mais. É aquele cuja comunicação elimina dúvidas, aproxima pessoas e dá direção.

Os primeiros 90 dias de uma liderança costumam ser vistos como o período em que o gestor precisa provar sua competência. Na prática, porém, esse é o momento em que a equipe decide se vale a pena confiar em quem acabou de chegar.

É uma diferença importante. Resultados geram reconhecimento. Confiança gera comprometimento.

E confiança nasce, principalmente, da comunicação.

Existe uma tendência natural de o novo líder querer demonstrar conhecimento rapidamente. Afinal, foi contratado ou promovido para resolver problemas, entregar resultados e conduzir pessoas. O risco está em acreditar que agir rápido significa comunicar bem.

Nem sempre.

Os primeiros meses deveriam ser encarados como uma fase estratégica de construção de relacionamento. Antes de transformar processos, é preciso compreender pessoas.

Quem são as lideranças informais da equipe?

Quais comportamentos fortalecem a cultura existente?

Que conflitos permanecem escondidos?

O que motiva aquelas pessoas além dos indicadores?

Essas respostas dificilmente aparecem em relatórios. Elas surgem nas conversas, na escuta ativa e na observação cotidiana.

Outro ponto essencial é definir expectativas.

Equipes sofrem quando não sabem o que o novo líder espera delas. Da mesma forma, líderes se frustram quando acreditam que suas expectativas são óbvias.

Não são.

É papel da liderança comunicar prioridades, critérios de decisão, padrões de qualidade e objetivos comuns.

Quando isso não acontece, cada profissional cria sua própria interpretação do que é importante.

O resultado costuma ser desalinhamento.

Também é nos primeiros 90 dias que o líder estabelece seu estilo de comunicação.

Há quem centralize informações.

Há quem compartilhe contexto.

Há quem só apareça quando existe problema.

Há quem mantenha conversas frequentes, mesmo quando tudo está funcionando.

Esses comportamentos moldam a percepção da equipe muito antes de qualquer avaliação formal.

Outro cuidado importante é evitar promessas impulsivas.

Na tentativa de conquistar simpatia, alguns líderes prometem mudanças, promoções ou soluções rápidas que dependem de fatores externos.

Quando essas promessas não se concretizam, a credibilidade sofre um desgaste desnecessário.

É preferível dizer “vou avaliar e retorno” do que oferecer respostas que talvez nunca possam ser cumpridas.

A comunicação madura não busca agradar. Busca gerar clareza.

Da mesma forma, feedbacks não devem esperar o encerramento de um ciclo de avaliação.

Reconhecer acertos, orientar ajustes e esclarecer expectativas desde o início reduz inseguranças e fortalece vínculos.

Um líder presente não é aquele que fala mais. É aquele cuja comunicação elimina dúvidas, aproxima pessoas e dá direção.

Os primeiros 90 dias passam rapidamente.

Mas a reputação construída nesse período costuma acompanhar o líder por muito tempo.

No fim, equipes não esperam que um novo gestor tenha todas as respostas.

Esperam alguém disposto a ouvir, aprender, comunicar com transparência e conduzir pessoas com coerência.

É assim que resultados sustentáveis começam a ser construídos.

Cândice La Terza escreve quinzenalmente para o BE News, com seus textos publicados às quartas-feiras.

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