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Hudson Carvalho

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Por mais Rubinhos em nossas empresas

“Podem falar o que quiserem. Não sou e nunca fui coadjuvante. Sou um piloto de ponta, sempre entro para ganhar.”

Rubens Barrichello, 323 GP’s, 11 vitórias, 14 Poles, 698 Pódios, duas vezes Vice-Campeão Mundial de F1 correndo pela Ferrari

 

Sou fã incondicional de Fórmula 1. Nem quando perdemos nosso maior ídolo, Ayrton Senna, deixei de assistir às corridas. Pelo contrário. As assisto com mais vontade ainda, em parte pelo desejo de ver nascer, nas pistas, outras referências de profissionalismo e caráter que o nosso Brasil tanto precisa.

Assisto também porque me identifico com o ambiente de alta competitividade, com o trabalho sob pressão e pela busca intensa por resultados.

Mas, sou um profissional de Recursos Humanos, então, nesse esporte e em tudo na vida, não posso deixar de avaliar todo o tempo a dimensão humana de forma completa, com seus prós e contras, de forma que seja possível dimensionar o seu impacto no resultado final.

Faz tempo que penso em escrever algo que tenha a carreira de Rubens Barrichello como pano de fundo. Explico: os “número 2”, os “vice-campeões” sempre me intrigam. Por que estão nessa posição? Falta-lhes talento, recursos, ou lá permanecem por pura opção?

Foi um post do site “Administradores” (www.administradores.com.br), no Instagram, que me animou, por fim, a trabalhar melhor a ideia.

Vou usar a mesma linha de análise que eles, acrescentando a minha visão de porque cada um dos pontos listados é tão importante para qualquer organização.

A primeira observação é que Rubinho mostra com seus atos ser alguém que joga para o time sempre que necessário. Quem não se lembra do GP da Áustria em 2002, quando tendo liderado toda a corrida, recebeu a ordem de reduzir a velocidade para deixar que Michael Schumacher cruzasse em primeiro lugar?

Alguns dirão: Por que aceitou? Receberemos todo tipo de resposta, mas o fato é que os resultados para a equipe falaram mais alto naquele momento.

Possuir alto espírito de equipe não significa diminuir-se perante os demais e deixar de capacitar-se para ser o primeiro. Ao contrário, o dever de qualificar-se continuamente – no limite da nossa capacidade – permanece necessário todo o tempo, inclusive para deixar claro para o grupo, que você também tem todas as condições de ser o “número 1”. A grandeza de ceder, abrindo mão de uma vantagem ou posição pessoal – em determinado momento e situação específicos – em prol do time, pode inclusive reforçar esse traço pessoal. Prepare-se sempre, fique atento ao que ocorre à sua volta. Tenha em mente que os resultados da equipe são mais importantes que os nossos, individualmente, que as oportunidades continuarão chegando.

O segundo ponto do Administradores é a alta resiliência emocional de Rubinho. Que personagem foi mais alvo de “memes” do que ele? Quantos receberam tantas críticas e continuaram firmes em suas carreiras?

Resiliência é uma competência importantíssima a qualquer tempo, em especial nesse que vivemos, quando é tão difícil diferenciar a legítima necessidade de cobrar as equipes para que sejam mais e mais produtivas da pressão desmedida que causa o estresse e o burnout. Os limites mudaram. Podemos não concordar com isso, mas essa realidade está aí para ser enfrentada todos os dias. Profissionais resilientes e, ainda mais, líderes resilientes, tornam esse trabalho muito mais fácil.

Capacidade de adaptação e de aprendizado é outra das características do bom profissional que é Rubinho. Nas palavras do Administradores, ele representa o “longlife learner”, a capacidade de aprender continuamente, ainda que já esteja na fase sênior da carreira. É um caminho a ser percorrido por toda a vida, não só a profissional. Filosoficamente falando, morremos quando paramos de aprender.

Veja se isso não representa reinvenção profissional. Após terminar sua carreira na Fórmula 1, Barrichello foi Campeão da Stock Car Brasil em 2014 (está na 13ª. temporada consecutiva), disputou as 500 Milhas de Indianápolis (correu 15 etapas da IndyCar Series) e as 24 Horas de Daytona na Categoria IMSA Endurance. Emplacou carreira como Comunicador, apresentando sozinho ou em parceria diversos programas de TV, além de possuir seu próprio canal no YouTube. Em 2025 estreou na NASCAR Brasil. Nada mal para quem tem hoje 53 anos de idade. Olha aí uma resposta concreta ao etarismo sobre o qual tantos apenas falam.

Se você gosta de medir o sucesso de alguém apenas pelos resultados financeiros, uma curiosidade. Em 2019 a Revista FORBES listou os pilotos que mais ganharam dinheiro na Fórmula 1. Rubinho foi o 9º. colocado.

Atingimos a linha de chegada com a certeza de que o combustível da perseverança, paixão pelo que se faz, capacidade de reinventar-se e coragem é que nos transformam em campeões. Ou em vices. Não importa.

 

Hudson Carvalho é Consultor em Estratégia de Gestão de Pessoas, Diretor Regional da WISDOM – Gestão Organizacional (Desenvolvemos Pessoas e Processos) para o ABCD e Baixada Santista e Diretor Executivo da ELABORE-ONLINE – Pessoas e Resultados.

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