terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Por uma logística eficiente no Norte do Brasil

A escalada vertiginosa na movimentação de cargas pelos terminais da Região Norte, que atingiu a expressiva marca de 12,6 milhões de toneladas em outubro do ano passado, consolida o Arco Norte não apenas como uma alternativa, mas como o eixo gravitacional da logística de exportação brasileira. O incremento de 31,46% em relação ao ano anterior, reportado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), reflete uma maturidade operacional que desafia gargalos históricos e redefine a competitividade do milho e da bauxita nos mercados globais. A eficácia desse corredor transregional, contudo, impõe agora a urgência de uma agenda de infraestrutura que acompanhe o ritmo frenético dos pátios de Vila do Conde e Santarém.

O fenômeno apoia-se, primordialmente, na pujança da navegação interior, responsável por 7,4 milhões de toneladas. A opção pelo modal hidroviário, destacada pela Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport), demonstra que a eficiência e a sustentabilidade resultam em custos finais mais atraentes. Somado a isso, o salto de 128% no transporte de contêineres via cabotagem evidencia que a segurança e a pontualidade tornaram-se ativos inegociáveis para a cadeia de suprimentos que interliga o Norte aos demais centros econômicos.

É imperativo defender, diante do crescimento operacional dos portos do Norte, a realização dos investimentos de infraestrutura necessários para que suas operações ocorram com eficiência e baixo custo. O recorde histórico de movimentação não deve mascarar a fragilidade inerente aos ciclos hidrológicos da região. A perenização da navegação durante os períodos de seca extrema exige intervenções pontuais de dragagem e manutenção, além de uma governança robusta sobre os canais de navegação. Sem a garantia de profundidade mínima e sinalização adequada, o risco de interrupções logísticas pode comprometer o custo-país e a previsibilidade das exportações.

O avanço nos modelos de concessão dos serviços hidroviários apresenta-se como a via mais célere para a modernização necessária. Políticas públicas ágeis e o estímulo ao aporte de capital privado são os instrumentos capazes de sustentar o ritmo de crescimento projetado para 2026. Investir na calha dos rios e na conectividade terrestre dos terminais é assegurar que o Brasil mantenha sua posição de protagonismo perante os mercados europeu, americano e africano, aproveitando a privilegiada localização geográfica da Amazônia.

A infraestrutura portuária de alta performance atua como um vetor de desenvolvimento que transcende os balanços comerciais. A consolidação de hubs eficientes no Pará e no Amazonas tem o potencial de elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das populações locais, gerando empregos qualificados e integrando a região de forma definitiva à economia formal. O sucesso da estratégia do Arco Norte depende, portanto, da firmeza do Governo Federal em priorizar o orçamento destinado ao setor e em desburocratizar os marcos regulatórios da navegação.

O País alcançou volumes de movimentação sem precedentes, superando a marca de 120 milhões de toneladas mensais na série histórica nacional. Para que esse patamar seja o novo piso — e não um teto — de produtividade, a infraestrutura hidroviária deve deixar de ser tratada como um recurso sazonal para ser gerida como um ativo estratégico permanente. A logística eficiente no Norte é o passaporte para um Brasil mais competitivo e menos dependente de rotas saturadas em outras regiões.

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