PORTa 2.0: da inclusão à formação
É por meio da educação que conseguimos, de fato, transformar o setor e ampliar oportunidades de acesso a carreiras sólidas, técnicas e bem remuneradas.
O Brasil é, por definição, um país logístico. Mais de 95% do nosso comércio exterior passam pelos portos, que são a espinha dorsal da competitividade nacional. Ainda assim, seguimos enfrentando um desafio estrutural que pouco aparece nas manchetes: a formação de pessoas qualificadas para sustentar o crescimento e a modernização do setor.
Foi a partir dessa lacuna que nasceu o Instituto PORTa. Inicialmente concebido como uma plataforma de conexão e fortalecimento de mulheres na área portuária, o PORTa cumpriu, e segue cumprindo, um papel relevante ao abrir espaço, gerar visibilidade e criar oportunidades em um ambiente historicamente masculino. Mas amadurecemos. E, com esse amadurecimento, veio também a clareza de que o impacto que buscamos exige um passo além.
Estamos, agora, em um novo ciclo: o PORTa 2.0.
Mais do que diversidade, nosso foco passa a ser, de forma estruturada, a capacitação e a formação de pessoas , homens e mulheres, para atuar na logística portuária. Acreditamos que é por meio da educação que conseguimos, de fato, transformar o setor e ampliar oportunidades de acesso a carreiras sólidas, técnicas e bem remuneradas.
A agenda é ambiciosa e necessária. O setor demanda profissionais preparados para lidar com temas como transição energética, digitalização, automação, integração multimodal e geopolítica logística. Não há competitividade sem gente qualificada. Não há eficiência sem formação.
É nesse contexto que avançamos em uma das iniciativas mais relevantes desta nova fase: a construção de um programa de pós-graduação executiva em parceria com a Unisinos (Universidade do Vale dos Sinos do Rio Grande do Sul), somado a uma cooperação internacional com uma universidade estrangeira, atualmente em fase final de estruturação e que, em breve, será apresentada ao mercado. A proposta é clara: formar lideranças com visão global, conectadas às melhores práticas internacionais e capazes de aplicar esse conhecimento à realidade brasileira e latino-americana.
Outro movimento estratégico é a aproximação com ambientes de inovação. A parceria com o Instituto Caldeira, em Porto Alegre, reforça o compromisso do PORTa em dialogar com o futuro. Durante a Semana Caldeira, que ocorrerá entre os dias 21 e 26 de setembro, o PORTa será responsável pela curadoria do Encontro de Logística, no dia 24/09. O evento reunirá nomes de referência do setor portuário, logístico, industrial e de energia para discutir, de forma integrada, os caminhos da infraestrutura e da competitividade no Rio Grande do Sul e no Brasil.
Essa conexão entre educação, mercado e inovação é o que sustenta o nosso próximo passo: o PORTa Global.
A expansão internacional do Instituto, com atuação prevista na América Latina e nos Estados Unidos, nasce da percepção de que os desafios logísticos são cada vez mais transnacionais. Corredores bioceânicos, cadeias globais de suprimento, reshoring, segurança energética, tudo isso exige profissionais com visão ampliada e capacidade de atuação em múltiplos contextos.
O PORTa Global será, portanto, uma plataforma de conexão, formação e desenvolvimento de talentos em escala internacional, posicionando o Brasil não apenas como um player logístico relevante, mas como um formador de excelência.
Se, no início, abrimos portas, agora queremos construir caminhos.
Porque, no fim do dia, não se trata apenas de portos. Trata-se de pessoas e são elas que, devidamente preparadas, têm o poder de transformar o setor e o País.
Patrícia Lia Brentano escreve quinzenalmente para o BE News.