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Ricardo Arten

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Porto Itapoá: crescer junto com o território

Quanto mais o Terminal amplia sua capacidade, sua relevância e sua presença nas cadeias globais, maior precisa ser sua capacidade de gerar valor compartilhado no território onde nasceu e continua crescendo.

Durante muito tempo, o desenvolvimento portuário foi medido quase exclusivamente por indicadores de operação: capacidade, produtividade, investimentos e eficiência. Todos continuam essenciais. Mas, para um porto inserido de forma tão profunda na vida de uma cidade, existe outra dimensão que não pode ser acessória: a capacidade de transformar crescimento econômico em oportunidades concretas para as pessoas ao seu redor.

Itapoá ajuda a mostrar por quê. Nas últimas décadas, o município passou por uma transformação acelerada. A cidade cresceu, novas empresas chegaram, empregos foram criados e a atividade econômica ganhou outra escala. O Porto Itapoá fez parte desse processo e, justamente por isso, nossa responsabilidade também cresceu. Um empreendimento que transforma a dinâmica econômica de um território precisa compreender que desenvolvimento não termina na geração de empregos ou no recolhimento de impostos. Ele também passa por educação, cultura, esporte, inclusão, qualificação profissional, saúde e fortalecimento comunitário.

É com essa visão que temos estruturado nossa atuação social. Desde 2015, o Porto Itapoá já destinou R$ 36 milhões a mais de 190 programas e iniciativas por meio de leis de incentivo fiscal. Somente em 2025, foram aportados R$ 12,9 milhões para 49 projetos com execução ao longo de 2026, envolvendo cultura, esporte, infância e adolescência, inclusão de pessoas com deficiência, atenção aos idosos e saúde oncológica.

O volume de recursos é relevante, mas não é o ponto principal. Investimento social só produz transformação duradoura quando existe critério, continuidade e vínculo com o território. Por isso, buscamos priorizar projetos desenvolvidos em Itapoá e na região e, mesmo quando a iniciativa tem origem em outro município, estabelecer contrapartidas para a comunidade local. Os editais de projetos incentivados também representam uma evolução: ampliam a transparência, organizam a seleção e permitem avaliar impacto, viabilidade e capacidade de execução.

Há outra escolha fundamental: não fazer apenas para a comunidade, mas fazer com a comunidade. O Programa Ampliar é um bom exemplo. Há dez anos, moradores dos bairros próximos ao Terminal, de Pontal, Figueira e Jaguaruna participam da construção e da escolha de projetos voltados às próprias necessidades. Já foram realizados 81 projetos comunitários, mais de 80 fóruns de discussão e mais de 2,5 mil participações nesses encontros. É uma lógica que desloca a comunidade da posição de beneficiária para a de protagonista.

O mesmo princípio aparece no Programa Geração, que trabalha economia solidária, associativismo e fortalecimento de atividades locais; no apoio ao esporte, com iniciativas como o Novos Ventos e o Coritapoá; e nos projetos de inclusão desenvolvidos junto à APAE e à AMA de Itapoá. Agora, novas frentes ampliam esse alcance. A Escola Brasileira de Arte e Tecnologia oferece formação gratuita em inteligência artificial, programação criativa e arte e interatividade, conectando a comunidade às competências de uma economia em transformação.

Essas iniciativas são diferentes entre si, mas têm algo em comum: procuram criar capacidade. Esse talvez seja o conceito mais importante quando falamos de impacto social. Doação e apoio emergencial são importantes em determinadas circunstâncias. Mas desenvolvimento de longo prazo exige que as pessoas tenham mais condições de aprender, trabalhar, empreender, participar das decisões e construir seus próprios caminhos.

Para o Porto Itapoá, essa agenda não está separada da estratégia de crescimento. Quanto mais o Terminal amplia sua capacidade, sua relevância e sua presença nas cadeias globais, maior precisa ser sua capacidade de gerar valor compartilhado no território onde nasceu e continua crescendo.

Nos próximos anos, veremos um Porto Itapoá maior, mais tecnológico e ainda mais conectado ao comércio mundial. O desafio é fazer com que essa expansão também seja percebida fora dos portões do Terminal: em uma criança que encontra no esporte uma nova perspectiva, em um jovem que se qualifica para o primeiro emprego, em uma pessoa com deficiência que conquista mais autonomia, em um pequeno empreendedor que aumenta sua renda ou em uma comunidade que participa das decisões sobre o próprio futuro.

É assim que entendemos desenvolvimento: não como aquilo que acontece apenas dentro do porto, mas como aquilo que permanece na cidade e nas pessoas quando o Porto Itapoá cresce.

 Ricardo Arten. CEO do Porto Itapoá.

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