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Ricardo Arten

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Porto Itapoá: infraestrutura brasileira preparada para os desafios do comércio global

Estar preparado para os desafios do comércio global exige olhar além do presente. Exige antecipar o crescimento das embarcações, acompanhar as transformações tecnológicas, compreender as novas exigências ambientais e manter diálogo permanente com os principais mercados consumidores e produtores.

O comércio internacional atravessa um período de transformações profundas. A reorganização das cadeias produtivas, o crescimento das embarcações, a busca por maior previsibilidade logística e a necessidade de reduzir custos e emissões estão mudando a forma como empresas, armadores e terminais portuários planejam o futuro. Nesse cenário, infraestrutura deixou de ser apenas uma questão de capacidade física. Ela passou a representar confiança, eficiência e condições reais para conectar mercados cada vez mais exigentes.

É com essa visão que o Porto Itapoá (SC) vem estruturando seu próximo ciclo de crescimento. Ao completar 15 anos de operações, o Terminal chega a uma nova etapa de sua trajetória, marcada pela ampliação da capacidade, pela incorporação de tecnologias, pelo fortalecimento das conexões internacionais e por uma presença cada vez mais próxima dos principais centros do comércio mundial.

Essa estratégia ganha um novo capítulo com a atuação do Porto Itapoá em Xangai, principal centro econômico da China e uma das referências globais em logística e comércio exterior. No dia 26 de agosto, a agenda na cidade reforçará a aproximação do Terminal com empresas, investidores e parceiros ligados ao mercado asiático. Mais do que uma ação institucional, essa presença representa o reconhecimento de que um porto competitivo precisa estar próximo dos mercados que movimentam as cadeias globais.

A China já ocupa posição central nas operações do Porto Itapoá. No primeiro semestre de 2026, o país respondeu por 49,4% das importações e por 17,9% das exportações movimentadas pelo Terminal. São números que demonstram a relevância dessa relação e ajudam a explicar a abertura de uma representação em Xangai, desenvolvida em parceria com a InvestSC, Agência de Promoção de Investimentos do Governo do Estado de Santa Catarina.

A iniciativa aproxima o Porto Itapoá de companhias chinesas interessadas em investir no Brasil e, ao mesmo tempo, cria um ponto de apoio para empresas catarinenses e brasileiras que buscam ampliar negócios com a Ásia. Essa conexão direta permite compreender melhor as demandas do mercado, identificar oportunidades e construir relações comerciais de longo prazo.

Mas a presença internacional precisa estar sustentada por capacidade operacional. Por isso, o Porto Itapoá mantém um programa contínuo de investimentos em expansão, tecnologia e eficiência. A Fase IV prevê R$ 500 milhões em novos aportes, com ampliação de 120 mil metros quadrados de pátio, aquisição do oitavo portêiner, novos equipamentos de movimentação e aumento da estrutura destinada a contêineres refrigerados.

O terminal já possui um dos maiores pátios de contêineres do Brasil, com 455 mil metros quadrados, e capacidade anual de movimentação de até 1,8 milhão de TEUs. A ampliação do cais em mais 400 metros permitirá alcançar 1.200 metros de extensão, criando condições para atender simultaneamente três navios de grande porte.

Outro avanço decisivo é a dragagem do canal de acesso à Baía da Babitonga. A obra elevará a profundidade do canal externo de 14 para 16 metros, permitindo a navegação de embarcações de até 366 metros de comprimento. Com isso, o complexo portuário estará preparado para receber alguns dos maiores navios que operam nas rotas internacionais, ampliando sua capacidade de concentração e distribuição de cargas.

Esse movimento acompanha uma tendência mundial. Os navios estão maiores, as escalas são mais seletivas e os armadores buscam terminais capazes de oferecer produtividade, segurança e menor tempo de permanência. Para os donos da carga, isso significa mais alternativas logísticas, maior previsibilidade e melhores condições para competir no mercado internacional.

A tecnologia também é parte essencial dessa preparação. O Porto Itapoá foi o primeiro terminal da América do Sul a operar RTGs por controle remoto e mantém a maior frota brasileira de terminal tractors elétricos, abastecidos com energia de fonte renovável. A modernização dos equipamentos contribui para elevar a produtividade e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais.

Em junho de 2026, mês em que completou 15 anos, o Porto Itapoá registrou o maior volume mensal de sua história, com 74 mil contêineres movimentados. O resultado não deve ser visto de forma isolada. Ele reflete uma trajetória de investimentos, melhoria de processos, qualificação das equipes e fortalecimento do relacionamento com clientes e armadores.

Estar preparado para os desafios do comércio global exige olhar além do presente. Exige antecipar o crescimento das embarcações, acompanhar as transformações tecnológicas, compreender as novas exigências ambientais e manter diálogo permanente com os principais mercados consumidores e produtores.

A presença em Xangai traduz esse posicionamento. Ao aproximar sua infraestrutura das oportunidades geradas pelo mercado asiático, o Porto Itapoá amplia sua capacidade de conectar a produção brasileira ao mundo e de contribuir para a atração de novos investimentos.

O futuro dos portos será definido pela combinação entre escala, eficiência, tecnologia, sustentabilidade e relacionamento internacional. O Porto Itapoá está construindo essa combinação com investimentos concretos e uma visão clara de longo prazo. Mais do que acompanhar as mudanças do comércio mundial, queremos estar preparados para ajudar o Brasil a ocupar uma posição cada vez mais competitiva nas cadeias globais.

Ricardo Arten. CEO do Porto Itapoá.

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