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Bruno Galoti Orlandi

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Relação Porto-Cidade: um ativo para o desenvolvimento

Ao longo da história, os portos foram motores do desenvolvimento econômico. Mas, em muitas cidades ao redor do mundo, também acabaram criando uma barreira física e simbólica entre a atividade portuária e o cotidiano urbano. Superar essa lógica tem sido um dos grandes desafios contemporâneos das cidades portuárias.

Nas últimas décadas, experiências internacionais vêm mostrando que essa relação pode, e deve, ser ressignificada. Projetos como o de Puerto Madero, em Buenos Aires, demonstram como áreas antes subutilizadas podem se transformar em espaços dinâmicos, conectando desenvolvimento econômico, valorização urbana e qualidade de vida.

No Brasil, iniciativas como o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, e a Estação das Docas, em Belém, evidenciam o potencial de requalificação de áreas portuárias, cada uma com suas características e vocações.

Em Santos, esse movimento se materializa por meio de uma construção que articula requalificação urbana e a dinâmica de um porto em plena atividade, com alinhamento entre os diferentes atores envolvidos. A requalificação da região do Valongo, com a recuperação progressiva dos armazéns históricos e a implantação do Parque Valongo, representa um novo capítulo na relação entre porto e cidade.

Não se trata de uma intervenção pontual, mas de um processo contínuo, construído ao longo dos últimos anos, que vem devolvendo à população uma área estratégica e, ao mesmo tempo, reforçando a identidade portuária do município.

Esse processo também reflete a continuidade de uma agenda construída ao longo dos últimos anos, com a participação de diferentes esferas de governo e lideranças públicas, como o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa, que contribuiu para viabilizar e dar sequência às intervenções na região do Valongo.

A recente revitalização do Armazém 3, com inauguração prevista para esse semestre, conforme anunciado pelo prefeito Rogério Santos, avança para sua etapa final e representa mais um marco dessa transformação. Integrada às fases já entregues do parque e ao boulevard aéreo, a iniciativa consolida um projeto que vai além da recuperação física dos espaços: trata-se de criar conexões urbanas, econômicas e institucionais.

Esse processo é fruto de um esforço conjunto entre o poder público municipal e a Autoridade Portuária de Santos, em um alinhamento que tem sido fundamental para viabilizar avanços consistentes e sustentáveis.

Quando há convergência institucional, ganha a cidade, ganha o porto e ganha o ambiente de negócios. A requalificação da frente portuária contribui para a valorização urbana, estimula novos investimentos, dinamiza a economia local e fortalece a imagem do Porto de Santos no cenário nacional e internacional.

Mais do que um espaço de convivência, o Parque Valongo simboliza uma mudança de paradigma. Ele mostra que é possível integrar desenvolvimento logístico e qualidade urbana, respeitando a vocação econômica do porto sem abrir mão de aproximá-lo das pessoas.

Esse movimento está alinhado a uma tendência global. Portos eficientes não se limitam à operação, eles dialogam com a cidade, geram valor para além dos seus limites físicos e contribuem para o desenvolvimento sustentável.

Santos, que abriga o maior porto da América Latina, iniciou 2026 com recordes históricos de movimentação – foram 42,8 milhões de toneladas no primeiro trimestre, o melhor resultado já registrado para o período, também evidencia na prática a força dessa integração. Esse dinamismo se reflete diretamente na economia local: o município contabilizou, no mesmo período, mais de 195 mil vínculos formais de trabalho, sendo mais de 38 mil ligados ao setor portuário.

O avanço das intervenções no Valongo, com a perspectiva de novas entregas nos próximos meses, reforça que estamos diante de um projeto de longo prazo, estruturado e com impacto direto no futuro da cidade.

Mais do que uma obra, o Valongo se consolida como um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico. A integração entre porto e cidade amplia a atratividade para investimentos, fortalece cadeias produtivas, gera oportunidades e contribui para um ambiente mais competitivo e sustentável. Em um cenário cada vez mais orientado à eficiência e à inovação, iniciativas como essa deixam de ser apenas urbanísticas e passam a ser determinantes para o posicionamento de Santos no mapa global dos negócios.

Com este artigo, Bruno Galoti Orlandi
passa a escrever quinzenalmente para o BE News,
com seus textos publicados às segundas-feiras.

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