terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Resiliência e sofisticação no agronegócio

O encerramento do ciclo comercial de 2025 consolida o agronegócio não apenas como a viga mestra da economia nacional, mas como um setor de resiliência e sofisticação estratégica ímpares. O alcance da marca histórica de US$ 169,2 bilhões em exportações — um incremento de 3% sobre o ano anterior — revela uma capacidade de superação que transcende as flutuações de preços internacionais. Responsável por quase metade de tudo o que o Brasil envia ao exterior, o campo brasileiro respondeu a uma redução nos preços médios com um vigoroso aumento de 3,6% no volume embarcado, sustentado por uma safra recorde de 352,2 milhões de toneladas de grãos e por níveis inéditos de produção de proteína animal.

A solidez dos indicadores apresentados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reflete um planejamento de longo prazo que prioriza a diversificação. A abertura de 525 novos mercados desde 2023 permitiu ao País atravessar turbulências geopolíticas e sanitárias com segurança, gerando receitas cambiais extras de aproximadamente US$ 4 bilhões. Este cenário de excedentes exportáveis foi alcançado sem comprometer o abastecimento interno, provando que a produtividade nacional é capaz de garantir a segurança alimentar doméstica enquanto atende à crescente demanda global.

É fundamental destacar a importância dessa diversificação de mercados e produtos para a balança comercial brasileira. Embora a China mantenha a liderança absoluta, absorvendo 32,7% do total exportado, o avanço em mercados não tradicionais, como Paquistão (+122%) e Argentina (+29%), confere ao agronegócio uma blindagem estratégica contra a dependência excessiva de poucos parceiros. A estratégia de expandir horizontes permitiu que itens como o café registrassem crescimento de 30,3% em valor, enquanto a carne bovina saltou 39,9%, impulsionada pela conquista de 11 novas fronteiras comerciais.

Deve-se ainda defender que o Governo continue a investir em infraestrutura logística e diplomacia comercial para sustentar esse crescimento. O desempenho recorde em setores de nicho — como o gergelim para a China, as frutas e os feijões — sinaliza que o Brasil está subindo na cadeia de valor, oferecendo produtos de maior especialização. A manutenção desse superávit de US$ 149,07 bilhões exige que o Estado assegure portos eficientes, rodovias conservadas e um corpo diplomático ágil, capaz de antecipar barreiras tarifárias e sanitárias antes que elas se tornem entraves ao produtor.

A ascensão do Brasil à posição de terceiro maior exportador mundial de carne suína e o avanço dos coprodutos, como o DDG de milho, evidenciam uma indústria que aproveita integralmente o ciclo produtivo. O sucesso de 2025 é o resultado da integração entre tecnologia no campo e uma política externa ativa, que removeu obstáculos e chancelou a qualidade do produto nacional em 64 países.

O fortalecimento da infraestrutura de escoamento e a desburocratização das certificações sanitárias são os próximos passos obrigatórios para que o recorde de 2025 se torne a base de sustentação para 2026. Nesse cenário, a vocação exportadora do Brasil é um ativo permanente de desenvolvimento econômico que demanda vigilância constante e apoio institucional contínuo.

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