terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Rota Sorocabana e a importância de saber ouvir

A reconfiguração do projeto da Rota Sorocabana, em atendimento às demandas das comunidades locais, ilustra um modelo promissor de gestão de concessões rodoviárias. A decisão do Governo de São Paulo de reduzir o número de pórticos eletrônicos inicialmente previstos, após escutar moradores e lideranças, demonstra uma sensibilidade importante e bem-vinda na implementação de grandes projetos de infraestrutura.

A exclusão de quatro pontos de cobrança eletrônica nas rodovias Raposo Tavares, Castello Branco e Castelinho, decorrente desse diálogo, não apenas preserva o equilíbrio financeiro da concessão, como também busca garantir uma maior justiça tarifária para os usuários. O exemplo da ligação entre Araçoiaba da Serra e Alumínio, onde a tarifa será significativamente reduzida com a implementação do sistema “free flow”, evidencia os benefícios potenciais dessa escuta ativa.

A desativação da praça de pedágio em Alumínio, com o consequente fim do isolamento de bairros, é um ganho social importante, demonstrando como a realocação estratégica dos pontos de cobrança pode impactar positivamente a dinâmica urbana. A declaração do governador Tarcísio de Freitas sobre a priorização da segurança e a flexibilidade contratual para ajustes ressoa como um reconhecimento da complexidade das necessidades locais.

A adoção do sistema eletrônico, acompanhada da isenção para motociclistas e dos descontos progressivos para veículos de passeio, sinaliza uma modernização do sistema de cobrança que beneficia os usuários frequentes. A fixação de tarifas por quilômetro oferece maior transparência e previsibilidade nos custos de deslocamento.

O projeto da Rota Sorocabana, com seus investimentos bilionários e a promessa de geração de milhares de empregos, possui um potencial transformador para os 17 municípios beneficiados. As obras de duplicação, implantação de faixas adicionais e construção de novas estruturas são cruciais para a melhoria da infraestrutura e da segurança viária na região.

A abertura do governo estadual ao diálogo contínuo com prefeituras e comunidades locais, com o objetivo de adaptar o modelo às realidades urbanas, estabelece um precedente importante para futuros projetos de infraestrutura. A disposição de escutar e incorporar as sugestões daqueles que serão diretamente impactados pelas obras não apenas legitima o processo, mas também aumenta as chances de sucesso e de aceitação por parte da população. Essa postura colaborativa demonstra um caminho mais eficaz e socialmente responsável para o desenvolvimento da infraestrutura no país.

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