terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

SAF em escala industrial

A Petrobras deu um passo decisivo em direção a um futuro de baixo carbono para a aviação. A produção experimental de querosene de aviação com conteúdo renovável (SAF) em escala industrial, realizada na Refinaria Henrique Lage (Revap), é um feito que posiciona o Brasil na vanguarda da transição energética do setor aéreo. O novo combustível, que pode ser misturado ao querosene de aviação tradicional sem a necessidade de adaptar aeronaves ou infraestrutura, é a chave para que a aviação mundial cumpra as metas climáticas estabelecidas pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e a diretora de Sustentabilidade da pasta, Larissa Amorim, salientaram a importância estratégica da iniciativa. O Brasil, com sua vasta disponibilidade de matérias-primas renováveis, maturidade tecnológica e um conjunto de políticas públicas, como a Lei do Combustível do Futuro, tem condições únicas para se tornar um protagonista na produção e no uso de combustíveis sustentáveis de aviação.

A importância do SAF tanto para a aviação nacional como para a descarbonização da aviação mundial é inegável. A adoção do combustível sustentável representa uma mudança estrutural para o setor aéreo, pois permite que as companhias aéreas reduzam significativamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em todo o ciclo de vida do combustível. O SAF é um instrumento essencial para que a aviação global alcance a neutralidade de carbono até 2050, e o Brasil tem o potencial para liderar essa transição.

O sucesso da produção experimental da Petrobras na Revap, que utilizou uma abordagem de baixo investimento ao incorporar óleo vegetal ao processo tradicional de produção de querosene de aviação, demonstra a viabilidade técnica e econômica do projeto. O fato de a Revap ser responsável por cerca de 50% de todo o querosene de aviação produzido no País e ter interligação direta com o Aeroporto de Guarulhos confere grande competitividade logística ao produto.

A liderança brasileira no desenvolvimento de combustíveis alternativos é, de forma evidente, um ativo estratégico. A produção nacional de SAF abre espaço para novas cadeias produtivas ligadas à bioenergia, à indústria química e ao agronegócio, com estímulo à pesquisa, desenvolvimento e inovação. O País, ao demonstrar sua capacidade de produzir SAF em escala industrial, atrai investimentos de empresas aéreas, refinarias e outros players interessados no mercado de combustíveis sustentáveis.

A Petrobras, ao submeter o relatório técnico para a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e contratar uma certificadora para atestar a redução de emissões de carbono, dá os próximos passos para a comercialização do produto. A iniciativa é um exemplo de como a colaboração entre a indústria, o Governo e a academia pode gerar soluções inovadoras e sustentáveis para os desafios globais. O Brasil, com o SAF, avança em direção a uma aviação de baixo carbono, consolidando sua posição como uma potência em energia limpa e renovável.

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