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Opinião

Editorial

Segurança energética e os investimentos necessários

O debate sobre a segurança energética no primeiro dia do Fórum Brasil Export Minas e Energia, nessa terça-feira, dia 25, em Brasília, salientou uma urgência inadiável: o Brasil precisa de R$ 44 bilhões em investimentos até 2030 para modernizar seu setor e acompanhar o crescimento acelerado da demanda global. A pressão imposta por novos data centers e pela expansão da inteligência artificial, que já consome uma parcela significativa da energia mundial, exige que o País aja com celeridade para expandir sua capacidade de produção energética.

O desafio é complexo, especialmente porque a geração precisa coincidir com o consumo exato. O risco de curtailment (corte de geração), que ocorre quando a produção fica maior do que o que é consumido, alertado por Luiz Carlos Ciocchi, do WEC Brasil, significa que o País desperdiça energia renovável disponível, perdendo potencial de desenvolvimento. A solução passa por aumentar a carga elétrica com indústrias eletrointensivas e, fundamentalmente, por modernizar o marco regulatório que impede a comercialização do excedente gerado por micro e pequenos produtores.

A realização de investimentos no setor energético de modo a atender suas novas demandas é um imperativo estratégico. O Brasil detém uma vocação renovável notável, com mais de 45% de sua matriz composta por fontes limpas e liderança na produção de biocombustíveis. No entanto, essa vantagem competitiva só será plenamente aproveitada se os gargalos de infraestrutura e legislação forem resolvidos.

Os investimentos devem focar na expansão das linhas de transmissão e na criação de mecanismos que permitam a comercialização eficiente do excedente de energia, como defendido pelo deputado federal Lula da Fonte. Onde se disponibiliza energia, o crescimento econômico acompanha, conforme observou Marcos Cid de Araújo, da OSX Brasil.

Além disso, é crucial que esse crescimento ocorra de forma sustentável. O deputado Coronel Assis destacou a importância da segurança jurídica para destravar o potencial de usinas de etanol de milho, que geram empregos e desenvolvimento regional. O setor precisa equilibrar a necessidade de aumentar a carga (por exemplo, com data centers e projetos eletrointensivos) com a salvaguarda do meio ambiente, garantindo que o desenvolvimento se dê de forma limpa e responsável.

A transição energética global impõe novos desafios ao setor de combustíveis marítimos. Glória Sousa, da Bunker Holding Group, ressaltou que a segurança energética se apoia no fornecimento contínuo, preço acessível e estabilidade. Os portos, como engrenagens nesse sistema, precisam se adaptar rapidamente às novas rotas globais e aos navios dual fuel. O avanço na diversificação de modais de abastecimento para navios (como a norma que permitiu operações com navio tanque fora de áreas abrigadas) é um sinal positivo.

A urgência é que o Brasil reforce sua infraestrutura para que essa energia limpa chegue a todas as regiões, fortalecendo a segurança energética nacional e o compromisso com a descarbonização. Investir em energia e em sua geração de forma sustentável é, mais do que nunca, um passo estratégico para o desenvolvimento econômico do País e um esforço essencial para garantir o fortalecimento de sua economia.

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