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Adilson Luiz Gonçalves

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Semana da Criança

“Aquela Semana da Criança, em que ao estudo sério e formal foi agregado o lazer educativo, ficou em minha memória como uma amostra de que o aprendizado tem um sentido muito mais amplo do que a sala de aula e os currículos escolares”

Em 1924, por meio do Decreto nº 4.867, sancionado pelo então presidente Artur Bernardes, o dia 12 de outubro passou a ser oficialmente o Dia da Criança, sem nenhuma menção a presentes ou como deveria ser comemorado.

Consta que só na década de 1950 sua comemoração passou a ser incrementada, por conta de interesses comerciais, aliás, como quase todas as comemorações com data oficial.

Quando eu estudava no saudoso Grupo Escolar Estadual Cesário Bastos, em Santos, na década de 1960, não havia um dia específico: era a Semana da Criança!

Lembro-me muito bem de uma delas:

Havia programação de segunda a sexta-feira, sempre acompanhada por docentes.

Bondes do Serviço Municipal de Transportes Coletivos (SMTC) nos aguardavam em frente à escola, na Avenida Rangel Pestana, bem ao lado da sede dessa autarquia, onde meu pai e alguns tios maternos trabalhavam.

De lá, partimos para visitar o Aquário, o Orquidário, a sede do Corpo de Bombeiros, que ficava no “Castelinho” (atual sede da Câmara Municipal) e o Monte Serrat. O único local onde íamos de ônibus era a fábrica de refrigerantes que ficava na Alemoa, pois não havia trilhos na região. Aliás, perdi essa visita por chegar atrasado ao ponto de encontro.

Tenho uma especial lembrança da visita ao Corpo de Bombeiros:

Haviam preparado uma série de demonstrações de combate a incêndio, incluindo apagá-los; e salvamento, quando formos lançados de uma altura segura, para cairmos numa cama de lona, suportada por alguns bombeiros.

A escada “Magirus” impressionou!

Muitos alunos devem ter pensado em seguir essa profissão, entendendo sua importância, técnica e heroísmo associados. Mas a volta às aulas e os processos educacionais de um tempo em que a avaliação era rigorosa fizeram com que outras vocações fossem descobertas, as quais também têm seu nível de importância e heroísmo.

Aquela Semana da Criança, em que ao estudo sério e formal foi agregado o lazer educativo, ficou em minha memória como uma amostra de que o aprendizado tem um sentido muito mais amplo do que a sala de aula e os currículos escolares.

Num tempo em que o ensino público rivalizava em boa qualidade com tradicionais escolas privadas, frequentadas por filhos de famílias abastadas, nós, membros de famílias humildes, alcançamos, por mérito e empenho, resultados equivalentes, superiores, até.

Fomos estimulados a isso! Fomos atores de nossas vidas, em vez de meras vítimas das circunstâncias.

Todo dia é dia da criança, que representa o futuro! Cuidemos delas, conscientes da responsabilidade que isso representa, para que esse futuro lhes permita realização pessoal, e não nos assole com culpa, saudosismo ou pesar.

 

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