Sobre vícios
É senso comum que os vícios são mais difíceis de serem combatidos quando adquiridos na infância e adolescência.
Cigarro e bebidas alcoólicas são um primeiro passo, normalmente associado à ideia errônea de que representam maturidade ou liberdade, um “rito de passagem”, quando, pelo contrário, escravizam de forma trágica, às vezes sem volta!
Existem vários tipos de vícios, sendo os associados ao consumo de drogas lícitas e ilícitas os mais dramáticos, em tese. No entanto, os vícios também podem ocorrer independentemente do uso de drogas, em função da própria química do corpo, via hormônios e/ou neurotransmissores.
Alguns são despertados, outros são induzidos de múltiplas formas, inclusive maliciosas, oportunistas, terapêuticas, culturais, por curiosidade, relações sociais e, até, por imposições violentas.
Um exemplo emblemático foi a Hollywood da “era de ouro”, com filmes em que bebedeiras eram atos de camaradagem e fumar era sinônimo de glamour e elegância, financiado pela indústria do tabaco, até descobrirem que causava câncer, entre outros males.
Quanto aos alucinógenos e entorpecentes, seu uso ocorre em certos rituais religiosos há séculos. Em alguns casos, precedia sacrifícios humanos.
No século XIX, dois conflitos entre a Inglaterra e a China ficaram conhecidos como “Guerras do Ópio”, substância altamente viciante, introduzida por comerciantes britânicos e dos EUA, que induziram seu consumo para gerar dependência e, assim, ampliar seu comércio. A “vingança” dos chineses foi espalhar “casas de ópio” pelo Ocidente, junto com suas imigrações, no mesmo século.
Químicos alemães produziram o Perventin, largamente utilizado por soldados durante a Segunda Guerra Mundial, tornando-os verdadeiras máquinas de lutar. Nesse mesmo conflito, ampolas de morfina eram distribuídas a soldados e médicos militares, servindo para aliviar dores de ferimentos e, no limite, a própria morte sem agonia.
Na Guerra do Vietnã, o uso de maconha e heroína era comum entre militares. Vários deles se tornaram dependentes químicos, comprometendo suas vidas, de seus familiares e da sociedade de múltiplas e dramáticas maneiras.
Drogas também eram e ainda são frequentes no âmbito da prostituição forçada, desde o aliciamento. Pessoas da elite empresarial, política e intelectual passaram a consumi-las para criar coragem, “ampliar horizontes de pensamento”, estimular “criatividade” ou turbinar festas de esbórnia. “Viagens lisérgicas”, comuns no movimento hippie e psicodelismo, motivaram até música dos Beatles, além de mortes prematuras de artistas. Criminosos as consomem para potencializar suas ações, inclusive matando sem remorso.
A dependência química tornou o vício um grande e inescrupuloso negócio, que alguns querem temerária ou intencionalmente tornar legal.
Quem e por que as pessoas se viciam?
O descrito anteriormente já responde essa pergunta. Porém, é senso comum que os vícios são mais difíceis de serem combatidos quando adquiridos na infância e adolescência.
Cigarro e bebidas alcoólicas são um primeiro passo, normalmente associado à ideia errônea de que representam maturidade ou liberdade, um “rito de passagem”, quando, pelo contrário, escravizam de forma trágica, às vezes sem volta!
O exemplo vem de casa, mas também de grupos de convívio.
Alguns “amigos”, “tribos” e seitas religiosas dizem para experimentar, que não faz mal, ou que faz parte de um processo de “elevação espiritual”.
Além disso, é cada vez mais comum filmes com cenas em que artistas famosos fumam maconha, como se fosse algo associado a prazer e liberdade. Ah, a “Janela de Overton”, que também está sendo aplicada em outras áreas de forma igualmente maliciosa, tão intencional quanto inconsequente.
A indução ao vício está em toda parte, inclusive em escolas, via pseudoalunos e o discurso ideológico permissivo, travestido de libertário, de alguns docentes.
Por tudo isso, o tráfico de drogas não pode ser considerado meio de vida, mas de morte, tão letal quanto a corrupção, pois afeta toda a sociedade por gerações. Ambos deveriam ser considerados crimes hediondos!
Um traficante e seus cúmplices jamais poderão ser considerados vítimas do mal que fomentam e disseminam, ou da violência física e psicológica que praticam, armados até os dentes, dentro e fora dos territórios que dominam, sob as bênçãos de uma impunidade institucionalizada.
Para mudar esse quadro aterrorizante, que afeta tudo e todos, é preciso que os poderes institucionais, cada um em seu âmbito, propiciem condições adequadas para combater rigorosamente essas práticas nefastas, ao mesmo tempo que criem condições para a geração de empregos, fomento ao estudo e melhoria das condições gerais de vida, com o Estado assumindo as funções que “delegou”, por ações e omissões, ao crime organizado.