Storytelling, a arte de contar histórias. No seu currículo, o personagem é você
“Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar”
Trecho da canção “Disparada”, de Geraldo Vandré
Quem não se lembra de Tom Hanks no papel de Forrest Gump?
Com seu baixíssimo Q.I. de 75, narra parte da história americana, sentado em uma praça, enquanto aguarda um ônibus. Os ouvintes, incrédulos, sucedem-se a seu lado, lamentando o momento em que seus coletivos chegam.
Qual a razão do seu sucesso? Por que capta tão bem a atenção de seus ouvintes e de uma audiência de milhões que lotaram os cinemas em 1994 e acessam ao streaming até hoje para vê-lo?
Simples: Forrest conta histórias. Verdadeiras ou inventadas, somos fascinados por elas.
Das figuras rupestres, desenhadas em cavernas na Pré-história, às redes sociais, passando por filmes, novelas, séries, conversas de bar e almoços de domingo, sempre há uma história ao nosso redor.
Porque elas nos movem, criou-se o STORYTELLING, técnica utilizada para engajar e conectar o público com marcas e produtos, através de narrativas envolventes.
Mas, …e se o “produto” a ser vendido fosse você. Se a “história” fosse o seu currículo ou sua página no LinkedIN? Seria uma “marca” que venderia?
Vamos pensar sobre como apresentar de forma emocionante a sua história profissional? Eu apresento o conceito, como você pode usá-lo e você conta a sua história.
Lembre-se: estamos falando de emoção, mas também de verdade. Sua história não deve ser percebida apenas como estratégia sem conteúdo, de promoção pessoal, ou conseguir um emprego melhor.
Primeiro, os elementos do storytelling:
- Escolha uma mensagem central clara, o fio condutor de toda a narrativa, que corresponde a mostrar a sua carreira e a diferença positiva que fez pelas empresas por onde passou;
- Apresente o Ambiente: detalhes sensoriais e descrições ricas situam o público na trama. No currículo ou página do LinkedIN, na descrição das empresas e que trabalhou, diga porque elas são importantes, os produtos e serviços que vendem e como eles podem mudar a vida das pessoas e – lógico – por quem esteja avaliando o seu perfil;
- Construa o Personagem: personalidades que fazem sentido criam conexão com o interlocutor. Conte seus resultados e como os atingiu. Ajuda muito, levar a que torçam pelo seu sucesso;
- Use o conflito: problema principal que precisa ser resolvido pelo personagem. Significa responder porque você deve ser contratado, promovido ou assumir um projeto importante. Cuidado. Se o conflito for facilmente superado, a audiência perde o interesse na história. Se for insuperável, o enredo perde o sentido.
Entendidos os Elementos, apresento um Modelo conhecido de criação de stotytelling’s. O Pixar, criado por Emma Coats ex-roteirista da própria Pixar. São 22 regras, mas vou te apresentar apenas as que ajudam a escrever a história, neste caso a sua vida profissional. Ei-las:
- Admire um personagem mais por suas tentativas do que por suas vitórias.
- Tenha em mente o que é interessante para o público, não para o escritor.
- Você só perceberá sobre o que é sua história no final. Reescreva.
- No que seu personagem é bom? Como se sente confortável?
- Crie um final antes de descobrir o meio. Finais são difíceis, tire-os do caminho logo.
- Quando você estiver preso num determinado ponto, faça uma lista do que NÃO aconteceria a seguir.
- Desmonte as histórias que você gosta. O que você gosta nelas é uma parte de você.
- Descarte as primeiras coisas que lhe ocorrerem. A história fica boa lá pela quinta ou sexta tentativa.
- Dê opiniões aos seus personagens. A passividade pode parecer agradável, mas é veneno para o público.
- Pergunte-se: por que devo contar ESTA história?
- Como você se sentiria nessa situação? A honestidade traz credibilidade para situações inacreditáveis.
- Há uma diferença entre fazer o seu melhor e ficar obcecado. A história é testada, não perfeita.
- Pegue uma história que você não gosta. Como você as rearranjaria para o que você gosta?
- Qual é a essência da sua história? A forma mais econômica de contá-la?
Essa estrutura é a mesma que você já viu na maioria dos filmes que assistiu e pode ser usada para contar sua história profissional no seu currículo e sua página no LinkedIN, com muito mais sucesso do que num texto sem emoção.
Como escrevemos lá em cima, é preciso uma pitada de emoção, mas uma tonelada de verdade. Então pergunto: Você está feliz com a sua história? Tem orgulho em contá-la?