Sua excelência, a excelência
“Nós somos o que repetidamente fazemos. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito”
(Will Durant, filósofo, historiador e escritor norte-americano)
Francis Albert Sinatra, ou Frank Sinatra, como o mundo o conheceu, foi um dos maiores artistas do século XX. Cantor, ator, produtor, marcou mais de uma geração com seus sucessos.
Havia, até recentemente, um outro Frank – o da minha família – que você não conheceu. Nosso gatinho querido, que nos deixou depois de quase 18 anos de companheirismo. O tempo levou ambos a uma outra dimensão.
Além do nome, porém, há outro ponto que os unia: curiosamente, a busca pela excelência. Um astro e um gato, … explico.
O Frank cantor dispensa comentários: Vendeu mais de 150 milhões de discos em quase sessenta anos de carreira. O apelido pelo qual era conhecido diz tudo: The Voice (A Voz). Tinha talento natural. Precisa mais?
Quando o assunto é a busca pela excelência, sim, precisa. Nosso pequeno Frank era cuidadoso com ele próprio e com nós todos. Impecavelmente limpo e organizado. Apesar de rigoroso com hábitos e horários, era interessante observar sua capacidade de desenvolver novos hábitos. Para um ser supostamente irracional, parecia entender o ambiente a sua volta e não se cansava de se adaptar às mudanças, a novos locais, novas pessoas, algo que os gatos normalmente detestam fazer.
Você deve estar achando estranho começar nossa reflexão dessa forma, mas há uma lógica por trás disso. Para manter-se no estado da arte – outra forma de descrever a excelência – é preciso ter talento, sim, mas é preciso também ser persistente.
É a persistência a mola que a move. É a disciplina que garante a manutenção do estado de excelência.
Reconheço que é mais difícil manter-se, ao longo do tempo, aplicando pequenas melhorias incrementais diárias na melhoria de determinado processo, do que fazer o enorme esforço inicial necessário para elevar determinada atividade ao um novo e mais alto nível.
Neste ponto, você deve estar pensando: entendo a teoria: talento (o potencial natural) + persistência (o “motor”) = excelência, com a regra complementar, quanto menos talento, mais persistência será necessária. Mas como manter a disciplina diária, necessária para elevar o nível de persistência?
Há um vídeo de Terry Crews circulando nas redes sociais que achei bem interessante. Terry, você deve lembrar, foi jogador de futebol americano, antes de tornar-se o ator, comediante e o apresentador de sucesso que é hoje.
Entre sua fase como atleta e o início de sua nova carreira como artista, teve empregos de menor exposição. Foi auxiliar de limpeza e segurança em “sets” de filmagem. A remuneração evidentemente era pequena, mas Terry tinha uma técnica interessante para persistir em fazer da melhor forma possível o seu trabalho. Ele se perguntava, mentalmente: “E se me pagassem um milhão de dólares para varrer esse chão, como eu faria? E se me pagassem um milhão de dólares para cuidar dessa portaria?”. E, motivado pela mentalização dessa ideia, criava formas de fazer seu trabalho melhor e melhor, como se já fosse muito bem pago para fazê-lo, como hoje realmente é.
Interessante, não? Tenho certeza de que você vai achar o seu próprio jeito também. Pode ser totalmente diferente. Só não pode deixar de ser feito, se quiser permanecer em busca do estado da arte em sua atividade.
Tenho convicção de que a forma que vai encontrar, vai passar pela leitura de tudo o que for relevante sobre o tema em questão, por participar, mesmo que virtualmente, de eventos, por acompanhar os profissionais que são referências, por fazer o máximo possível de networking com profissionais que atuam na área. Se for possível ter um mentor para lhe orientar e acompanhar sua trajetória de melhoria contínua, tanto melhor. Se isso não for possível, definir metas e prazos para acompanhar seu autodesenvolvimento já será um bom começo.
Você já percebeu que dá trabalho tentar ser excelente no que se faz, mas, de novo, só não funcionará se você permanecer na sua zona de conforto.
Para concluir, chamo a atenção para outro aspecto da busca pela excelência. Reforço o verbo “buscar”. A excelência como fim não existe. Sempre haverá uma maneira de fazer algo de forma mais simples, rápida e com menor custo.
É uma caminhada permanente, como tentar alcançar o horizonte. Ele sempre estará lá. Chegar a ele, sentar-se e admirar a vista, jamais.