Terras raras: a importância de se investir em pesquisa
O debate sobre o setor mineral no Fórum Brasil Export Minas e Energia, em Brasília, nessa quarta-feira, dia 27, revelou uma agenda ambiciosa do Governo Federal, com a expectativa de injetar até R$ 20 bilhões em projetos de pesquisa científica e tecnológica para esse mercado. Esse aporte, que reverte um longo período de escassez de financiamento, é um sinal claro de que o Brasil reconhece o potencial estratégico de sua riqueza mineral, em especial as terras raras, elementos essenciais para a produção de tecnologias modernas, como eletrônicos e veículos elétricos.
Osório Coelho, diretor do Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação (MCTI), enfatizou que o foco da política pública não deve se restringir à exploração, mas envolver também a transformação desses minerais. Essa visão exige a integração da pesquisa básica e aplicada, políticas industriais robustas e um arcabouço regulatório que garanta segurança jurídica para atrair o capital privado.
É fundamental destacar a importância de o poder público e o setor privado investirem em pesquisa para ampliar a exploração das terras raras no Brasil e, principalmente, desenvolver sua industrialização no País. O Brasil, com sua geologia favorável e uma infraestrutura logística orientada para a exportação, possui todas as condições para ser um player global neste mercado, conforme apontado por José Luis Vidal, da WV Logistics, citando dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
E deve-se sempre lembrar: a simples exportação do recurso natural não agrega valor à economia. O diretor do MCTI ressaltou a necessidade de avançar na maturidade tecnológica para que as terras raras sejam efetivamente transformadas em produtos de mercado em solo nacional. O investimento em pesquisa é o catalisador que permitirá ao Brasil sair da condição de mero exportador de minério para se tornar um fornecedor global de componentes e tecnologias de alto valor agregado.
O papel do Governo é criar o ambiente propício para que a inovação floresça. A garantia de um arcabouço regulatório que dê segurança jurídica é o pilar que sustentará o investimento de longo prazo do setor privado. A articulação entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e entidades de fomento, como a ApexBrasil, é crucial para mapear as riquezas e direcionar o capital para projetos de industrialização.
O Brasil tem a oportunidade de dar um próximo salto estratégico no mercado mundial. A exploração e a industrialização das terras raras, alinhadas a uma política de inovação e pesquisa, são a chave para o desenvolvimento econômico sustentável e a inserção do País nas cadeias de valor globais de alta tecnologia.