Tragédia nas estradas: o custo humano do transporte de cargas
Os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, celebrado na última terça-feira, dia 28, revelam uma realidade dura: o asfalto brasileiro é o cenário da maior letalidade laboral do País. Entre 2016 e 2025, os motoristas de caminhão não apenas lideraram o ranking de óbitos, mas estabeleceram uma média preocupante de mais de uma morte por dia. Defender a segurança nas rodovias não é mais apenas uma pauta de infraestrutura ou logística; é, antes de tudo, uma questão urgente de direitos humanos e saúde pública que exige atenção imediata das autoridades e do setor privado.
A importância estratégica do transporte rodoviário de cargas para a economia brasileira é indiscutível, mas o custo em vidas desse modelo tornou-se alarmante. Enquanto o setor de saúde concentra o maior volume de acidentes, liderado por técnicos de enfermagem, o transporte de cargas destaca-se pela alta gravidade das ocorrências. O estudo do MTE deixa claro que, embora existam menos registros totais do que em hospitais, a letalidade no transporte é drasticamente superior devido a fatores como longas jornadas, exposição constante ao trânsito e condições rodoviárias variadas, resultando em mais de 4,2 mil profissionais vitimados em uma década.
O ano de 2025 marcou o pico histórico da série, com 3.644 mortes e mais de 800 mil acidentes, refletindo a retomada econômica e o aumento do emprego formal. Além do impacto humano imensurável, os 6,4 milhões de acidentes registrados no período custaram ao País mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos, o que afeta a produtividade nacional e sobrecarrega o sistema previdenciário. Estados como Mato Grosso, Tocantins e Maranhão apresentam as maiores taxas de letalidade, evidenciando como a combinação de agronegócio e longos deslocamentos rodoviários potencializa o risco para o trabalhador.
A evolução do perfil das ocorrências mostra que os acidentes de trajeto ganharam participação relevante, chegando a quase 20% do total, enquanto a participação feminina nos registros cresceu 48% devido à maior presença de mulheres nos setores de saúde e serviços.
Embora a taxa de incidência proporcional tenha caído com a ampliação da base de empregos formais, os números absolutos de óbitos reforçam a necessidade de políticas de prevenção mais eficazes. O Brasil de 2026 precisa garantir que a modernização logística venha acompanhada de um controle rígido das jornadas de trabalho e de uma cultura de prevenção que priorize a vida de quem move a economia do País.