Transações, capital e financiamento em portos, óleo e gás e navegação
O capital se moveu entre duas velocidades nesta semana: capturar o caixa dos petroleiros e preparar a próxima fronteira do petróleo brasileiro.
No apoio marítimo, a OceanPact incorporou a CBO e reuniu 70 embarcações, com carteira contratada acima de R$ 14 bilhões, concentrada na Petrobras. Na ROG.e, evento do setor de energia no Rio de Janeiro, a petroleira reafirmou o plano de investir US$ 2,5 bilhões na exploração da Margem Equatorial entre 2026 e 2030, com 15 poços previstos. A Galp também quer ampliar sua presença na região. São apostas de longo prazo: transformar exploração em receita dependerá de descobertas comerciais, licenças e infraestrutura de apoio.
Nos petroleiros, o retorno é mais imediato. Um navio de 15 anos foi vendido por valor superior ao preço de uma unidade nova. Pantheon Tankers e Asyad Shipping aproveitaram o mercado para vender quatro embarcações; a Trafigura busca US$ 500 milhões para financiar as que encomendou.
A diferença está no tempo. Alguns investidores vendem ativos valorizados; outros comprometem capital hoje para disputar receitas futuras. Na costa Norte brasileira, preparar a infraestrutura é parte dessa aposta.
AQUISIÇÕES E CONTROLE
1. OceanPact incorpora CBO e reúne 70 embarcações
A OceanPact concluiu a incorporação da CBO, armadora de apoio marítimo, com aumento de capital de R$ 1,48 bilhão e emissão de novas ações, negociadas na B3 desde 17 de setembro. Vinci Compass e Pátria ficaram com 21,8% cada; Flavio Andrade, presidente da companhia, com 13%; e BNDESPar, com 10,9%. O grupo reúne 70 embarcações e carteira contratada acima de R$ 14 bilhões. A concentração na Petrobras dá visibilidade de receita, mas amplia a exposição a um único cliente.
2. Oferta aproxima AD Ports da saída da bolsa
A L’imad Holding, investidora soberana de Abu Dhabi, recebeu adesões que elevarão sua participação na AD Ports de 75,42% para 98,5%, após a liquidação prevista até 9 de outubro. A oferta de AED 6,25 por ação avalia a operadora portuária em US$ 8,66 bilhões e abre caminho para sua saída da bolsa. O movimento tem conexão brasileira: a AD Ports mantém acordo para comprar, por US$ 835 milhões, a CLI, operadora de terminais de grãos em Itaqui e Santos.
3. CoreMarine compra BravOcean para ampliar atuação no Brasil
A norueguesa CoreMarine concluiu em 18 de setembro a compra da BravOcean, empresa brasileira de engenharia, gestão de projetos e serviços de instalação submarina. A aquisição amplia sua capacidade de executar projetos para petroleiras em águas profundas no Brasil, incorporando equipe especializada e atuação local. O preço não foi divulgado.
EXPLORAÇÃO E EXPANSÃO
4. Galp quer ampliar presença na Margem Equatorial
A Galp, sócia da Petrobras com 10% em quatro blocos de Barreirinhas, afirmou na ROG.e que pretende ampliar sua presença na Margem Equatorial. A manifestação indica interesse em novas oportunidades, não uma aquisição concluída. A bacia fica na costa do Maranhão, onde a infraestrutura de apoio será parte importante da avaliação dos projetos. Para a empresa portuguesa, o próximo passo será transformar interesse em novos compromissos de capital.
5. Petrobras reserva US$ 2,5 bilhões para 15 poços
O Plano de Negócios 2026–2030 da Petrobras prevê US$ 2,5 bilhões para exploração na Margem Equatorial, com a perfuração de 15 poços. Na Foz do Amazonas, prevê iniciar, no começo de 2027, o primeiro de três novos poços no bloco FZA-M-59. Informou também que outros dez blocos, em parceria com a ExxonMobil, dependem de licença do Ibama. O investimento busca avaliar o potencial da região; eventual produção comercial exigirá decisões posteriores de desenvolvimento e infraestrutura.
NAVIOS E ENCOMENDAS
6. Contratos com a Vale sustentam encomenda de US$ 432 milhões
A sul-coreana Wooyang Shipping encomendou quatro graneleiros de grande porte ao estaleiro chinês New Times Shipbuilding, por cerca de US$ 432 milhões, com entrega entre 2029 e 2030. Cada navio terá 210 mil toneladas de porte bruto e poderá usar etanol e metanol. A encomenda se apoia em contratos de transporte de minério com a Vale por 25 anos, no valor total de US$ 1,65 bilhão, prorrogáveis por mais cinco. O prazo longo dá previsibilidade de receita ao investimento na frota.
7. Samsung fecha US$ 1,2 bilhão em seis navios
A Samsung Heavy Industries assinou contrato de US$ 1,2 bilhão para construir quatro navios de transporte de gás natural liquefeito e dois petroleiros. O comprador não foi identificado. Com o negócio, as encomendas recebidas pelo estaleiro sul-coreano em 2026 chegam a US$ 7,3 bilhões, superando os US$ 7,1 bilhões de todo o ano anterior. O avanço é nas encomendas: não se trata de receita já recebida.
CAPITAL E VENDA DE ATIVOS
8. Trafigura busca US$ 500 milhões para frota de superpetroleiros
A Trafigura constituiu em Cingapura a Volare Shipping e busca US$ 500 milhões em colocação privada para financiar navios em construção. A empresa tem seis superpetroleiros em operação e oito encomendados, com os quais pretende chegar a 14 até outubro de 2028. A listagem no Euronext Growth Oslo está prevista para 5 de outubro. A estrutura reúne a frota em uma empresa própria e abre espaço para investidores participarem de sua expansão.
9. Petroleiro de 15 anos é vendido acima do preço de um novo
A grega Pantheon Tankers vendeu o Sea Leopard, superpetroleiro construído em 2011, por US$ 135 milhões, acima da referência de US$ 131 milhões para uma unidade nova. A comparação destaca uma diferença importante: comprar um navio existente permite antecipar o acesso às receitas, enquanto uma encomenda exige esperar pela construção. Também aproveitando a valorização, a omanense Asyad Shipping vendeu três petroleiros por US$ 178 milhões, com lucro previsto de US$ 75 milhões. Os compradores não foram identificados.
10. TotalEnergies fecha acordo de US$ 1,8 bilhão com a GIP
A TotalEnergies firmou acordo com a Global Infrastructure Partners, do grupo BlackRock, prevendo aporte de US$ 1,8 bilhão ligado à sua infraestrutura de petróleo e gás na África. Em contrapartida, pagará à gestora uma tarifa vinculada aos volumes movimentados por até 15 anos. A lógica econômica é obter capital em troca de pagamentos futuros associados ao uso da infraestrutura. Os ativos envolvidos e os direitos transferidos não foram detalhados.