Um pouco de geografia local
Para quem não sabe, a cidade de Santos tem sua porção insular, parte da Ilha de São Vicente, e sua parte continental.
A área total do Município é de aproximadamente 281 km2, sendo 39,4 km2 na ilha (que concentra cerca de 99,3% da população) e 231,6 km2 na área continental (com apenas 0,7% da população).
Santos já foi muito maior, pois até 1992 Bertioga fazia parte de seu território. Se voltarmos um pouco mais no tempo, Guarujá e Cubatão também, respectivamente até 1934 e 1949.
Ninguém é obrigado a saber disso. Aliás, em alguns casos é obrigado, sim! Para não cometer equívocos ou desinformar.
Lembro que, certa vez, passeando no Bonde Turístico com minha mulher e filho, a guia, ao passarmos pela região do Valongo, apontou para o outro lado do Canal do Estuário, indicando a Ilha Barnabé, dizendo que ela ficava em Guarujá…
Com toda a discrição, eu a procurei para informar – para surpresa dela – que a Ilha Barnabé fica na área continental de Santos.
E não só a Ilha Barnabé, em termos portuários e retroportuários: os Terminais de Uso Privado (TUPs) da DP World, da VLi (TIPLAM, antiga Ultrafértil), e parte da Usiminas também ficam na área continental de Santos. Isso não é “achismo”, mas a divisão territorial oficial do Município.
A população da área continental de Santos se distribui principalmente pelos núcleos de Caruara, Monte Cabrão e Ilha Diana.
O que define o limite territorial da área continental de Santos em relação a Cubatão é uma linha imaginária traçada a partir do eixo do Canal de Piaçaguera. Já em relação a Guarujá (Ilha de Santo Amaro), é o Canal de Bertioga.
É certo que um dos fatores que contribui para esse desconhecimento é a falta de uma ligação terrestre direta entre Santos-Ilha e Santos-Continente. Atualmente, a única ligação terrestre disponível passa por Cubatão. Outra ligação importante é a aquaviária, por meio de balsas e barcas operadas pelo DH-SP, ou catraias que ligam as margens do Canal do Estuário, mas entre Santos e Guarujá.
Nesse sentido, a única ligação direta regular entre a Santos-Ilha e Santos-Continente, também por meio aquaviário, é operada com tarifa social pela CET-Santos.
A ligação seca Santos-Guarujá, via túnel subaquático, prevista no novo PAC, deve melhorar significativamente essa conexão entre as áreas do Município, porém, mesmo assim, ainda não será direta. Cá entre nós, isso não chega a ser um problema.
O problema está no desconhecimento da importância que essa área tem para Santos. Desconhecimento que precisei refutar num evento de âmbito nacional, quando ouvi um dos debatedores afirmar que Santos não tinha áreas para expansão econômica.
Precisei dar uma “aula de Geografia local”, para demonstrar o equívoco dessa manifestação, tolerável para a guia turística, mas inaceitável para alguém que atue em áreas técnicas ligadas a logística e planejamento estratégico.
Aprendi, enquanto pesquisador, a buscar fontes diversificadas e cruzar informações, para tentar não cometer equívocos. Na dúvida, eu pergunto sem maiores constrangimentos. Tento fazer o mesmo quando ignoro um determinado assunto, assim, obtendo um esclarecimento convincente – que não seja um “Porque sim, Zequinha!” -, deixarei de ser ignorante sobre o tema.
Procuro praticar isso e, enquanto lecionei, exortei meus alunos a fazerem o mesmo. Aliás, eles contribuíram muito, com suas dúvidas, para que eu também buscasse respostas para as minhas. E cada dia surgem novas, o que é ótimo para manter Tico e Teco funcionando!
Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre Santos, ou qualquer outra cidade e estado do Brasil, o sítio do IBGE (https://cidades.ibge.gov.br/) tem dados oficiais. No caso específico de Santos, basta acessar o sítio da Prefeitura (https://www.santos.sp.gov.br/?q=servico/informacoes-urbanas).
Não sei se esse material é utilizado nas aulas de Geografia do sistema educacional público e privado, mas são fontes úteis, em múltiplos sentidos.
Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro, Pesquisador Universitário e Escritor
Membro da Academia Santista de Letras