terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Uma nova era para os canais portuários

O Brasil encontrou o caminho definitivo para destravar um dos maiores gargalos de sua competitividade global: a profundidade e a eficiência de seus canais de acesso portuários. Ao projetar, para este ano, a realização de até três novos leilões para a concessão dessas vias de navegação — as de Itajaí (SC), Rio Grande (RS) e Santos (SP) —, o Governo Federal consolida uma estratégia que iniciou com sucesso em Paranaguá (PR) e que agora ganha escala nacional. Defender a concessão desses canais é defender a transição de um modelo de dragagem intermitente e dependente de orçamentos públicos para um sistema de alta performance, gerido pela iniciativa privada sob rigorosas metas de profundidade e segurança.

A importância estratégica dessas concessões reside na previsibilidade operacional. Para que o Brasil acompanhe o gigantismo da frota marítima mundial, o aprofundamento dos canais não é um luxo, mas uma necessidade de sobrevivência comercial. O projeto de Santos, por exemplo, prevê um calado de 17 metros (com estudos para 18 metros), um investimento de R$ 6,45 bilhões que colocará definitivamente o principal porto do Hemisfério Sul no mapa das rotas dos megacontêineres. Sem a agilidade do capital privado, tais obras levariam décadas para sair do papel; sob concessão, tornam-se compromissos contratuais com prazos definidos.

No Sul do País, o modelo ganha contornos de inovação logística. A proposta para o Rio Grande do Sul, ao integrar o canal de acesso marítimo às hidrovias gaúchas em uma única concessão, demonstra uma visão sistêmica da infraestrutura. Ao unificar a gestão de ativos sob uma mesma modelagem, o Governo otimiza custos e garante que a carga que navega pelo interior do estado encontre um porto marítimo pronto para recebê-la com eficiência. É a geografia sendo usada a favor da viabilidade econômica, garantindo investimentos de R$ 134 milhões em uma malha hidroviária essencial.

Já o projeto de Itajaí, o mais maduro na fila do Tribunal de Contas da União (TCU), carrega a responsabilidade de ser o próximo “case” de sucesso. Com R$ 2,8 bilhões em investimentos previstos, a concessão será o oxigênio necessário para que o complexo portuário catarinense retome sua pujança e ofereça aos armadores a segurança de um canal sempre operacional e profundo. A ordem de maturidade processual apresentada pelo Ministério de Portos e Aeroportos revela um planejamento técnico criterioso, que respeita as fases de consulta pública e análise dos órgãos de controle.

O Brasil não pode mais permitir que sua balança comercial seja limitada pela “régua” de seus canais. A concessão dessas vias é a ferramenta que garantirá o calado necessário para que os portos brasileiros deixem de ser terminais de alimentação (feeders) e se tornem grandes centros de conexão (hubs) globais. Com os leilões de Itajaí, Rio Grande e Santos no horizonte, o País sinaliza ao mercado internacional que o tempo da infraestrutura reativa ficou para trás. Agora, o foco é a eficiência, a profundidade e, acima de tudo, a continuidade dos investimentos que garantirão o escoamento da riqueza nacional.

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