terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Uma nova estratégia para as ferrovias brasileiras

O encontro promovido pela Frente Parlamentar Mista da Logística e Infraestrutura (Frenlogi) na última quarta-feira, dia 29, serviu como um importante momento para o setor ferroviário brasileiro, ao detalhar uma carteira de investimentos que pode atingir R$ 150 bilhões. A mensagem do Governo Federal e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é clara: o Brasil abandonou a ideia de que o setor privado deve carregar sozinho o peso da infraestrutura. Ao estruturar a expansão sobre o tripé de aporte público, financiamento de longo prazo e garantias sustentáveis, o País alinha-se às práticas das maiores potências logísticas do mundo. Defender essa integração entre Estado e mercado é a única forma de transformar os 10 mil quilômetros de trilhos ociosos em artérias pulsantes da economia nacional.

A importância estratégica dessa nova fase reside na migração do modelo de “projetos isolados” para o de “ferrovias inteligentes”. O uso do Fundo Clima e do BNDES, somado aos recursos do Fundo de Garantia de Infraestrutura Sustentável (FGIES), oferece o colchão de segurança necessário para atrair capitais que antes fugiam do risco regulatório brasileiro. O impacto projetado de até R$ 600 bilhões na cadeia produtiva demonstra que a ferrovia não beneficia apenas quem transporta, mas induz um ciclo de reindustrialização que o Brasil persegue há décadas.

A renovação antecipada de concessões críticas, como a da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) — com previsão de R$ 30 bilhões em investimentos —, é o motor imediato dessa retomada. Paralelamente, o projeto da EF-118 (Vitória-Rio) surge como o elo que faltava para ampliar as conexões dos complexos portuários do Sudeste à malha nacional, reduzindo a dependência crônica do transporte rodoviário. O modelo de “chamamento público” para trechos abandonados, tendo o Corredor Minas-Rio como piloto, simplifica a burocracia e permite que a infraestrutura existente seja requalificada com agilidade, transformando passivos operacionais em ativos logísticos.

O debate na reunião da Frenlogi também trouxe uma perspectiva necessária sobre o papel social e industrial do modal – a ferrovia não pode ser apenas um “tubo de exportação” de commodities; seu traçado deve servir ao desenvolvimento regional e à agregação de valor aos produtos nacionais. Ao reduzir custos logísticos e emissões de carbono, a expansão ferroviária de 2026 apresenta-se como a solução mais viável para a crise climática e para a competitividade do PIB. O Brasil finalmente compreendeu que, para mover o futuro, é preciso, primeiro, garantir que a logística do mundo — o trilho — esteja devidamente assentada e financiada.

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