Uma nova fase para os aeroportos brasileiros
A fotografia atual do setor aeroportuário brasileiro revela uma transformação profunda: em pouco mais de uma década, os principais terminais do País deixaram de ser geridos por uma estatal para se tornarem ativos controlados por gigantes globais. Hoje, empresas de sete nacionalidades estrangeiras dominam 90% dos aeroportos em capitais, um nível de internacionalização que supera qualquer outro braço da infraestrutura nacional. Esse cenário reforça o fato de que a aviação é, por natureza, um setor de padrões globais, onde a expertise de grupos como a espanhola Aena, a francesa Vinci e a suíça Zurich trouxe a eficiência necessária para o Brasil dar o salto de conectividade que o século XXI exige.
Esta predominância estrangeira é um reflexo, principalmente, da padronização regulatória. Diferente do saneamento ou das rodovias, que enfrentam desafios regionais dispersos, o transporte aéreo segue regras internacionais rigorosas e uniformes. Isso reduz as incertezas para o investidor e explica por que o processo de concessões, iniciado em 2011, foi tão bem-sucedido em atrair capital externo. O Brasil de 2026 colhe os frutos dessa abertura, com terminais como Congonhas (SP) e Galeão (RJ) operados por concessionárias que aplicam as melhores práticas mundiais em gestão e infraestrutura.
A retração da Infraero, que passou de 67 aeroportos em 2010 para apenas 23 atualmente, é a face visível dessa mudança de paradigma. A estatal, que antes atuava como sócia em consórcios com construtoras nacionais, viu sua participação minguar após a reestruturação do setor e os impactos da Operação Lava Jato nessas empresas de construção – com várias delas investigadas e admitindo irregularidades. O movimento caminha para um desfecho em que a Infraero terá um papel residual, mantendo o Santos Dumont (RJ) como seu último grande ativo, enquanto o mercado caminha para a consolidação através de programas como o AmpliAR, que inclui a gestão de aeroportos regionais em contratos de concessão de grandes complexos aeroportuários, garantindo melhorias a instalações menos atrativas para investidores.
O futuro próximo aponta para um mercado de escala. A recente aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU) da solução consensual para o Aeroporto de Brasília (DF) e essa inclusão de terminais regionais em contratos existentes tendem a fortalecer os grupos já instalados. Essa estratégia de “blocos” aumenta a viabilidade econômica de aeroportos menores através da expertise e do capital das grandes operadoras internacionais.
Embora ainda existam oportunidades no mercado secundário, a tendência é clara: o setor aéreo brasileiro consolidou-se como um porto seguro para o investimento global, garantindo que a porta de entrada e saída do País opere sob o ritmo e a qualidade da logística internacional.