Uma nova infraestrutura de transportes para o Piauí
O primeiro dia do Nordeste Export 2025, fórum regional realizado pelo Grupo Brasil Export para debater a infraestrutura e a malha de transportes dessa região do Brasil e que ocorre, pela primeira vez, em Teresina (PI), trouxe à tona um debate urgente para o desenvolvimento econômico do Piauí. Lideranças empresariais e autoridades destacaram a necessidade de uma maior integração logística dos modais de transporte no estado, para otimizar o escoamento de cargas e impulsionar o crescimento da produção local.
Os painéis e as apresentações do Nordeste Export, iniciado ontem, evidenciaram a lacuna na infraestrutura de transporte do Piauí, destacando a ausência de ferrovias e a subutilização de hidrovias e, como resultado, as dificuldades para o escoamento da produção local. São questões que precisam ser mais debatidas por autoridades, pela iniciativa privada e pela sociedade e, assim, solucionadas. O estado conta com produções agrícola e mineral crescentes e que podem ser escoadas pelo litoral piauiense. Mas, para isso, a logística local tem de ser ampliada e otimizada.
A necessidade de o estado aumentar sua malha de transportes, diversificando-a, é uma questão estratégica para o futuro. A dependência excessiva de um único modal de transporte, geralmente o rodoviário, gera custos logísticos elevados, gargalos operacionais e impactos ambientais. Para o Piauí, que tem uma produção em expansão de minério de ferro, mel e outras commodities, a diversificação é um imperativo para a competitividade.
Nesse contexto, a maior e melhor utilização da Hidrovia do Parnaíba se apresenta como uma oportunidade valiosa. As hidrovias são modais de baixo custo, alta capacidade de carga e menor impacto ambiental, ideais para o transporte de commodities a granel. A modernização e a desobstrução do canal de navegação, a instalação de terminais de transbordo e a integração com outros modais, como o rodoviário e o ferroviário, poderiam transformar a hidrovia em um eixo logístico vital para o estado.
Além da hidrovia, a construção de linhas ferroviárias das zonas de produção locais e de outros estados ao Porto Piauí, em Luís Correa (PI), é um passo crucial para o desenvolvimento. O Matopiba, por exemplo, é uma região de enorme potencial agrícola que precisa de uma infraestrutura ferroviária eficiente para escoar sua produção. A construção de ferrovias conectando essas zonas de produção ao complexo marítimo não apenas reduzirá os custos de transporte, mas aumentará a capacidade de exportação do estado, gerando novas oportunidades de negócio e fortalecendo a economia local e regional.
O debate promovido pelo Nordeste Export é fundamental para conscientizar os governos e a sociedade sobre a urgência de investir em infraestrutura de transporte diversificada. A transformação logística do Piauí, com a utilização plena da Hidrovia do Parnaíba e a construção de ferrovias, é o caminho para que o estado possa capitalizar seu potencial produtivo, se integrar de forma mais robusta à economia nacional e global e, de fato, se consolidar como um polo de desenvolvimento no Nordeste brasileiro.