terça-feira, 06 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

Uma verdade inegável

O alerta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proferido em Mônaco nesse domingo, dia 8, durante o Fórum de Economia e Finanças Azuis, sobre a urgência de ações coletivas para a preservação dos oceanos, ressoa como um chamado à responsabilidade global. A sua participação no evento e a presença confirmada na Terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que começa nesta segunda-feira, dia 9, em Nice, na França, sublinham a relevância que o Brasil atribui a essa pauta fundamental para o futuro do planeta.

A crítica presidencial à disparidade entre os vultosos investimentos militares e o financiamento pífio destinado ao desenvolvimento sustentável, sobretudo à conservação dos oceanos, é uma constatação contundente. A afirmação de que “não falta dinheiro, o que falta é vontade política” atinge o cerne da inação de muitas nações. A data do discurso, coincidentemente o Dia Mundial dos Oceanos, e o foco no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14 da Agenda 2030, que defende o uso sustentável do ecossistema marinho, reforçam a pertinência e a gravidade da mensagem.

O chefe de Estado do Brasil ainda destacou a imensa relevância econômica e ambiental dos oceanos, que movimentam trilhões de dólares anualmente e guardam recursos naturais inestimáveis. Apesar disso, o ODS 14 figura entre os menos financiados da agenda global, com um déficit alarmante. Essa discrepância clama por uma mudança de paradigma, onde a vitalidade dos ecossistemas marinhos seja reconhecida como um ativo indispensável para a prosperidade humana.

Ao posicionar o Brasil como um ator central nas discussões sobre os oceanos, dada a sua vasta costa e rica biodiversidade marinha, o presidente reforça o compromisso do País com a agenda climática global, inclusive como anfitrião da COP30. A defesa por mais compromissos internacionais e o financiamento climático, com um olhar atento para as nações em desenvolvimento que mais sofrem as consequências da omissão, integram o caminho que deve ser seguido.

As propostas para fortalecer o financiamento a projetos sustentáveis, com a reformulação de instituições financeiras internacionais e a troca de dívida por desenvolvimento, apontam para estratégias inovadoras. A menção de exemplos positivos, como a meta de zerar emissões na navegação, é um alento, mas o presidente cobra mais avanços em frentes cruciais como o combate à poluição plástica e a ratificação de tratados sobre biodiversidade em águas internacionais.

No plano doméstico, as ações apresentadas pelo Brasil, como o programa Bolsa Verde e a carteira de investimentos do BNDES dedicada à economia azul, mostram que o poder público brasileiro já move peças nesse tabuleiro estratégico. O financiamento de projetos que abrangem desde a descarbonização da infraestrutura portuária até a recuperação de manguezais e a pesca sustentável, exemplifica o compromisso com a Economia Azul.

É fundamental que o poder público brasileiro continue a apoiar e incentivar ações de sustentabilidade, especialmente as ligadas à Economia Azul. Os oceanos não são apenas corpos d’água; eles são motores econômicos e reguladores climáticos vitais. A implantação de usinas de hidrogênio verde e outros projetos de baixo carbono, como o País já está fazendo, são passos cruciais para a descarbonização da economia e a garantia de um futuro mais próspero e equilibrado. A mensagem do presidente ecoa uma verdade inegável: o planeta não suporta mais promessas não cumpridas, e a ação coletiva é a única saída para preservar os oceanos para as próximas gerações.

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