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Hudson Carvalho

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Vencer dificuldades não deve ser algo tão difícil. Vamos vencê-las?

“A força não vem de vencer. Suas lutas desenvolvem suas forças. Quando você atravessa dificuldades e decide não se render, isso é força.”
Arnold Schwarzenegger

Preciso reduzir meu tempo de acesso às redes sociais. Em especial ao Instagram.

Justo eu que combato o uso excessivo do celular, tenho encontrado, nessa rede, inspiração para nossas conversas por aqui. Dois ou três dos últimos textos vieram de algo que vi por lá. Sinal dos tempos.

O problema é que, quando vejo um post, por mais simples que seja, principalmente os que trazem trechos de filmes, começo automaticamente a fazer conexões – do que vejo – com carreiras, mundo corporativo, vida pessoal. É inevitável para mim. Afinal, “a vida imita a arte”.

Foi o que aconteceu, mais uma vez, nesta semana. O filme? The Weather Man (que passou no Brasil, como O Sol de Cada Manhã), estrelado por Michael Caine e Nicolas Cage, pai e filho, respectivamente, Robert e Dave Spritz. O primeiro, escritor famoso, ganhador de um prêmio Pulitzer – mas que esconde de todos estar em estado terminal. O outro, o “Homem do Tempo” (daí o título) de um Canal de TV em Chicago, desrespeitado por sua família e por sua audiência, em franca crise de identidade, indeciso com o rumo que deve dar à sua carreira.

A trama é interessante e versa sobre insegurança e (falta de) reconhecimento pessoal. Não vou me aprofundar para não dar spoiler sobre um filme que você deve assistir por inteiro. O que me chamou a atenção foi uma cena em especial. Pai e filho, em um restaurante. Segue o diálogo:

Robert: “David, … sacrifício é …é, … para conseguir qualquer coisa de valor tem que se sacrificar.”

Dave: “Eu sei, pai, mas acho que se continuarmos por esse caminho, vai ser muito ruim para as crianças. Muito difícil.” (Ele se referia à mudança para New York, para assumir o papel de âncora em um grande telejornal, o que seria uma ótima oportunidade profissional, mas que traz consigo a possibilidade de divorciar-se de sua esposa).

Robert: “Sabia que a coisa difícil a fazer e a coisa certa a fazer, geralmente, são a mesma coisa? Nada que tenha significado é fácil. Fácil não faz parte da vida adulta.”

Fim da cena.

Ainda sob o peso das verdades desse post, vem outro, logo em seguida. Um vídeo em preto e branco. Na tela, Antônio Bandeiras, bem trajado, agradecendo a um prêmio que acabava de receber. Sua fala: “Ninguém nos valorizará, se não o fizermos primeiro. Terminarei com Cervantes e seu Don Quixote, que, com sua mente sonhadora e por vezes lúcida, dizia: Como não está experimentado nas coisas do mundo, todas as coisas têm algo de dificuldade, te parecem impossíveis. Confia no tempo, que sabe te dar doces saídas a muitas amargas dificuldades”.

Deve haver algo por trás disso, não?! O mesmo tema, vencer dificuldades, duas vezes em seguida. Como tenho certeza de que coincidências não existem, não perderei a oportunidade, embora ainda haja pouco a acrescentar ao que os diálogos dizem sozinhos.

Minha primeira observação é que gostaria muito de deixar somente, sob a responsabilidade do tempo, a chegada das soluções para as dificuldades da vida. Sim, ele cura todos os males como dizem, mas é necessário que façamos um esforço pessoal para encontramos nossos caminhos e nossas soluções.

A segunda observação é irmã da primeira: por mais que tenhamos respeito e admiração por alguém, mesmo que próximo de nós, a construção de nossas vidas e carreiras é só nossa e de mais ninguém. É uma responsabilidade impossível de delegar. Possuir referências, pessoas que são ou foram exemplos de virtude e de conduta pessoal é importante, mas serão sempre referências que não viverão as nossas vidas. Viverão as delas. A trilha da própria evolução é apertada demais para ser dividida. E na chegada, o prêmio será nós mesmos sermos a referência para outros.

Saindo do campo da arte e indo para a ciência, diversos estudos mostram que vencer dificuldades, exercitando o cérebro para fazer atividades as quais naturalmente não queremos fazer, leva a um maior controle emocional, já no curto prazo. No médio e longo praz, a adaptação do cérebro reforça as regiões que regulam o autocontrole e a motivação. Que melhor forma de vencer dificuldades do que contrariar, à força, essa megamáquina, que é nosso cérebro, sempre à busca do caminho mais fácil de fazer as coisas. Economiza energia, mas não nos torna seres humanos melhores.

Na prática, é uma questão de abandonar velhos hábitos ruins e construir novos.

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