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Hudson Carvalho

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“Vocatio”. Você atende a seu chamado interno?

“Onde as necessidades do mundo e os seus talentos se cruzam, aí está a sua vocação.”

Aristóteles

Tive a honra e o prazer de ser Professor Universitário por 23 anos. Poucos prazeres se comparam a estar de frente a um grupo, em uma Sala de Aula.

Interessante como, achando que estamos ensinando, estamos muitas vezes aprendendo.

Apesar das inúmeras alegrias que tive ao longo da minha carreira como Docente, já fazia algum tempo que não entrava numa Universidade para uma daquelas noites típicas do ambiente de uma Faculdade. Salas e corredores cheios. Alunos e Professores conversando.

Recentemente voltei por uma razão um pouco diferente: uma grande Feira de Profissões, de onde transmitimos, ao vivo, um programa da rádio, tendo como plateia, Alunos do Curso de Jornalismo. Experiência fascinante.

O tema era o mercado de trabalho e sua evolução. Os debatedores, Jornalistas experientes, perguntando e Especialistas, respondendo.

Foi inevitável que o assunto passasse pelo perfil comportamental da Geração “Z” e tudo que ele traz de transformações nas relações entre pessoas, em particular no mundo do trabalho. Não vou me aprofundar nesse tema, já o fiz inúmeras vezes antes.

O tema hoje é outro. Não o que difere uma geração da outra, mas o que há de comum entre elas. O que nos torna iguais, ainda que submetidos a condições temporais completamente diferentes. Estou falando de atender a uma vocação, um “chamado”. Se formos ao pé da letra na tradução do Latim, vocatio, do verbo vocare.

Você já se perguntou por que faz o que faz para viver? Por que trabalha em determinada Área? Por que escolheu a carreira em que atua?

Minha mulher, Silvia, Arquiteta há mais de 30 anos, na sua infância, recortava plantas de apartamentos, dos anúncios de jornal, para recompô-las, como ela as faria. É assim que nos achamos profissionalmente. Lendo os sinais que a vida cotidiana nos apresenta.

Sei também que a vida nos leva por caminhos que, por vezes, dificultam a manutenção da escolha original, mas é muito provável que você, como eu, também tenha sido trazido de volta ao caminho da vocação original por caminhos misteriosos.

Formei-me em Engenharia Mecânica, porque minha cabeça traduz tudo o que é possível em números e processos, mas foi essa mesma formação que me levou de volta à minha verdadeira vocação que é ensinar. Quando penso em mim, profissionalmente falando, é de pé numa sala ministrando uma aula ou uma palestra, que me vejo.

Mesmo tendo girado 180 graus e trilhado uma carreira em Recursos Humanos, o chamado original estava lá, firme e forte. Ensinar, conduzir, fazer e responder perguntas.

Nesta linha – falando exclusivamente da escolha da carreira – foi interessante observar os Alunos e ver como agem diferente entre si os que estão ali por verdadeira vocação dos que estão por outras razões.

No campo de “outras razões”, há um enorme perigo a ser evitado na hora de escolher o caminho profissional que carregará pelo resto de sua vida: o dinheiro. Escolher uma carreira pensando exclusivamente na remuneração, se ela é “bem paga” ou não, é trilhar o caminho da incerteza.

A primeira razão é que as profissões como qualquer outro “produto” tem seu valor determinado pela Lei da Oferta e da Procura. Em outras palavras, o que está sendo muito bem remunerado hoje, pode não sê-lo amanhã. E você estará preso a algo que não gosta de fazer, pelo resto da vida.

O segundo fator é o da mediocridade, no sentido literal, que é estar na média. Você só conseguirá destaque na sua profissão se estudar, dedicar-se por horas e horas de trabalho, aprender o que há em volta do que faz. Quem tem disposição de dedicar-se tanto assim – muito acima da média – se não for por algo com que realmente se identifique?

Alguém pode estar pensando: “Muito bonito, mas estou velho demais para mudar de carreira”. Duvido. Sempre é possível mudar. Não há necessidade de abandonar tudo para seguir um novo caminho. Há diferentes formas de manter-se conectado àquilo que gosta de fazer.

Tenho um Amigo, grande cirurgião na sua Área de atuação, reconhecido por seus pares, que foi Guia Turístico na juventude. Ajudou a pagar a Faculdade de Medicina com esse trabalho. Hoje, quando viajamos juntos, ele faz os roteiros, conhece tudo sobre a história, os hábitos e os idiomas do roteiro que vamos fazer. Percebe? Achou um jeito de continuar a fazer o que gosta, ainda que não seja sua atividade principal.

Há um outro perigo, que nos ronda quando fazemos algo com que não temos completa identificação: apequenar-se. Fazer menos do que efetivamente poderíamos fazer, por estarmos na profissão “errada”.

Falando sobre esse ponto em particular, na saída da Feira de Profissões, com meu grande Amigo e (hoje) Editor, lembramos de uma passagem bíblica que explica bem essa história: a Parábola dos Talentos. “Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado”.

Não seja escravo de si mesmo. Multiplique suas competências, seus talentos, dentro de uma atividade que lhe dê verdadeiro prazer.

 

Hudson Carvalho é Consultor em Estratégia de Gestão de Pessoas, Diretor Regional da WISDOM – Gestão Organizacional (Desenvolvemos Pessoas e Processos) para o ABCD e Baixada Santista e Diretor Executivo da ELABORE-ONLINE – Pessoas e Resultados.

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