Você carrega o mundo nas costas? Pare já!
Você e eu não somos ingênuos. Sabemos que às vezes é necessário passar da conta, em uma ou outra situação. Eu mesmo faço isso. Chamar o jogo para si e dizer: “Deixa que eu chuto”. Agir dessa forma, ocasionalmente, é aceitável, muitas vezes uma questão de sobrevivência própria ou do grupo ao qual pertencemos. Em especial quando a intuição – algo que respeito muito – me diz para fazê-lo. Intuição não é sentimento de tolos, ou de preguiçosos de planejar de forma adequada. Intuição é a sua história de vida, o conjunto de sua experiência, gritando: Faça!
“Disciplina também é saber quando parar para manter a clareza.”
Margaret Thatcher
Você já deve ter visto a imagem clássica da escultura do Titã que carrega o mundo nas costas. Atlas, condenado por Zeus a suportar, sozinho, o peso de todo o firmamento celeste. Essa é história como a mitologia, descrita pelos Gregos, nos conta.
Só mais tarde, os artistas modernos simplificaram o castigo, colocando “apenas” o Planeta Terra sobre seus ombros. Atlas deve arrepender-se amargamente de ter liderado uma guerra contra o Olimpo, mas tornou-se um símbolo de força e resistência, castigo eterno e perseverança, mas principalmente de “peso da responsabilidade”.
Apesar de meramente mitológica, é uma imagem profunda, adequada para a analogia do assunto que pretendo trazer para nossa reflexão: a sobrecarga que o dia a dia do mundo moderno naturalmente já coloca em nossas costas, ou, ainda pior, aquela que nós próprios costumamos pedir para carregar, por nossa conta. E risco. Sim, há enorme risco em ultrapassar constantemente, nossos limites.
Você e eu não somos ingênuos. Sabemos que às vezes é necessário passar da conta, em uma ou outra situação. Eu mesmo faço isso. Chamar o jogo para si e dizer: “Deixa que eu chuto”. Agir dessa forma, ocasionalmente, é aceitável, muitas vezes uma questão de sobrevivência própria ou do grupo ao qual pertencemos. Em especial quando a intuição – algo que respeito muito – me diz para fazê-lo. Intuição não é sentimento de tolos, ou de preguiçosos de planejar de forma adequada. Intuição é a sua história de vida, o conjunto de sua experiência, gritando: Faça!
Mas eu lhe pergunto: Quantas vezes você já surpreendeu assumindo algo integralmente – sem que ninguém, nem os próprios envolvidos – houvessem lhe pedido. Quantos problemas trouxe para sua mesa, os quais só em parte – ou nada – lhe cabiam? Quantas vezes chamou para si a responsabilidade de fazer algo que competia a outro assumir.
Onde está o risco em si? No estresse, na ansiedade, que a sobrecarga contínua, todo o tempo, lhe traz. Você vira um motor funcionando em rotação máxima, todo o tempo. Uma hora o combustível acaba ou o motor aquece e funde.
Há risco maior? Há. Além da sobrecarga pessoal, você reduz o tempo que deveria aplicar para resolver os problemas que são realmente seus. Aquelas metas, os resultados que planejou alcançar para si, ficam esperando a sua vez, que nunca chega.
Discutindo esse tema com um bom Amigo, ele dizia. “Eu sou assim, gosto de ajudar os outros.”
Parece nobre da parte dele, mas será que você está realmente ajudando?
Resolver integralmente os problemas dos outros ou assumir culpa por eles, na prática, faz o mesmo efeito dos que pensam ajudar a borboleta libertando-a do casulo que habita enquanto ainda é uma crisálida. Sem o necessário esforço que deve fazer para sair da casca sozinha, torna-se fraca, nunca voa e morre em seguida. Perde musculatura e perde aprendizado.
Ao longo da minha carreira de quase quarenta anos ouvi várias vezes Colegas afirmarem: “Prefiro fazer eu mesmo, por que o assunto se resolve mais rápido”. Ledo engano, que só piora quando a frase dita é: “Se quer que algo seja bem-feito, faça-o você mesmo”. Ninguém se torna um Líder respeitado pensando a agindo dessa forma.
Quer ajudar de verdade? Segure o seu ímpeto, tenha paciência e oriente, ensine, eduque. São atitudes completamente diferentes do que assumir integralmente o papel do outro. No ambiente organizacional, lideranças com esse tipo de comportamento criam Equipes fracas, incapazes de aprenderem com seus acertos e erros. Trilhe junto apenas a parte do caminho que o outro ainda não consegue fazer sozinho. Carregue-o nos braços apenas o tempo suficiente para que ele aprenda e faça o caminho inteiro sozinho.
Quando esse for o modus operandi da sua ação, três coisas acontecerão: você terá criado alguém capaz de andar com suas próprias pernas, terá estimulado – através do seu exemplo – a que essa pessoa, agora autônoma, aja da mesma forma com outros que encontrar ao longo da vida e, por último, mas não menos importante, terá deixado em legado admirável. Sua presença será sempre sentida, mesmo quando estiver ausente.
Vale à pena, não?